Grampo provoca tremedeira em políticos
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sábado, 15 de fevereiro de 2003
Edson Luiz 
Brasília - Na semana passada, ao se encontrar com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o procurador parlamentar da Câmara, deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), estava usando dois celulares, de operadoras diferentes. O motivo era um só: medo de ser grampeado. O temor dos dois é o mesmo que toma conta de quase todas as autoridades brasileiras, já que se alastra no País a chamada República do Grampo, na qual ninguém está imune a ter a intimidade devassada. Essa prática, que começou na década de 40, na ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, se expandiu e se modernizou, ao longo da história.
O próprio Thomaz Bastos tomou suas precauções, e hoje só conversa amenidades pelo aparelho. A conversa do ministro com Fleury, aliás, foi exatamente sobre o grampo, tema que está sempre ligado à disputa de poder. Há duas semanas, a imprensa divulgou trechos de gravações clandestinas feitas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia, em torno dos deputados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Nelson Pellegrino (PT-BA) e do ex-deputado Benito Gama (PTB).
Além dos três, foram grampeadas mais de 250 pessoas, alguns cidadãos comuns, como o motorista de caminhão Júnior e o advogado Jonas. Em apenas sete meses, 466 telefones foram monitorados.
Não se trata, porém, de nenhuma novidade. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, o problema dos grampos sempre esteve presente e com bastante intensidade. Pelo menos nove casos foram descobertos e causaram fortes crises.
Estrago - A primeira ocorreu em novembro de 1995, quando foi divulgada uma conversa do chefe de cerimonial do Palácio do Planalto, embaixador Júlio César Gomes dos Santos - hoje cônsul-geral em Nova York -, com um empresário que representava no País uma empresa interessada na implementação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). O estrago foi grande. Além de Santos, deixaram o governo o então ministro da Aeronáutica, Mauro Granda, e o então secretário particular de Fernando Henrique, Francisco Grazziano.
Para evitar o alastramento das gravações clandestinas de telefonemas, o governo providenciou, em julho de 1996, uma lei pela qual o grampo poderia ser realizado desde que fosse com autorização judicial. Mas em maio de 1997, uma nova gravação, dessa vez envolvendo deputados do Acre, causou novo alvoroço no Palácio do Planalto. A conversa girava em torno da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição.
Um ano depois, durante o processo de privatização do Sistema Telebrás, nova crise. Dessa vez, uma escuta telefônica levou à demissão o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, seu irmão, José Roberto - que era secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex) -, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Lara Resende.


