Grampo indica que diretor da PF tentou favorecer irmão
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Felipe Recondo e Sônia Filgueiras<br>Agência Estado 
Brasília - Gravações telefônicas em posse do Ministério Público e que mostram o diretor-executivo da Polícia Federal, delegado Romero Menezes, pressionando o superintendente da PF no Amapá, Anderson Rui Fontel de Oliveira, foram decisivas para o pedido de prisão temporária dele, que era, na hierarquia da PF, o segundo homem mais importante do órgão. Nas conversas, gravadas com autorização judicial, Romero aparece tentando favorecer o irmão, José Gomes de Menezes Junior. O delegado reclama da demora de Fontel em concluir o processo em que o irmão pede à PF o credenciamento como instrutor de tiro.
De acordo com informações do Ministério Público, as conversas indicam que Menezes estaria articulando o afastamento do superintendente do cargo, caso a exigência não fosse atendida.
Durante a apuração, o procurador responsável pelos inquéritos, Douglas Santos Araújo, juntou indícios de que Menezes conseguiu inscrever o irmão no curso especial de segurança portuária da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça de forma fraudulenta. Para isso, Menezes teria se utilizado de informações falsas.
Além da suposta pressão para beneficiar o irmão, Menezes também é investigado pelo vazamento de informações da Operação Toque de Midas, deflagrada em julho deste ano, para investigar suposto favorecimento à empresa MMX, do empresário Eike Batista, na licitação do processo de exploração da estrada de ferro que liga o município de Serra do Navio ao Porto de Santana, no Amapá. No inquérito, foram incluídos indícios, mantidos ainda sob sigilo, de que Menezes seria um dos responsáveis pelo vazamento. Um desses indícios seria uma gravação telefônica entre Menezes e o irmão tratando de uma investigação da PF de ''interesse local''.
Foi com base nesse rol de indícios e reforçado por depoimentos e provas documentais que o procurador pediu à Justiça a prisão temporária de Menezes, do irmão e do diretor da MMX Amapá, Renato Camargo dos Santos, decretada na terça-feira e revogada ontem. Menezes é investigado por tráfico de influência e vazamento de informações.
Havia, por isso, de acordo com o procurador, razões suficientes para os pedidos de prisão. ''A lei que regula a prisão temporária prevê que é preciso haver risco daquela pessoa interferir na investigação e que é preciso ter indícios mínimos de autoria (do crime). Só com base nesses dois pontos cumulativos é que se pode pedir a prisão'', justificou o procurador.
Como parte das investigações, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa e na sala de Menezes na Polícia Federal. Foram apreendidos documentos e computadores, que agora serão periciados. Somente depois disso, afirmou o procurador, será possível saber se Menezes, o irmão e o diretor da MMX serão denunciados.
Além do processo judicial, a PF abriu procedimento na corregedoria para verificar se a denúncia procede ou se Menezes foi vítima de exploração de prestígio pelo irmão. Com o afastamento de Menezes, o diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado, Roberto Troncon Filho, acumulará o cargo de diretor-executivo.


