Grampo confirma narcotráfico no PR
Carmem Murara
De Curitiba
Uma escuta telefônica feita, durante quase 11 meses, em Curitiba, numa série de telefones celulares e convencionais da quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, revela que o Paraná está mergulhado na rota do tráfico. A Folha de Londrina/Folha do Paraná teve acesso prioritário a trechos dessas fitas que trazem conversas entre os integrantes do esquema do traficante carioca, hoje o mais procurado no País. Apesar de já serem de conhecimento de alguns parlamentares que compõem a CPI do Narcotráfico, os grampos não devem embasar provas da CPI, pois teriam sido feitos a partir de gravações paralelas.
Gravações de telefonemas entre Jaime Amato Filho, de Curitiba, Fernandinho Beira-Mar, do Rio, e outros revelam como são feitas as transações
As conversas gravadas evidenciam o envolvimento de traficantes, que deixaram o Rio de Janeiro para morar em Curitiba ou no interior de São Paulo. A casa, que funciona como uma espécie de QG da droga na capital, fica no Morro do Piolho, no Bairro da Fazendinha, conforme reportagem publicada pela Folha, na quinta e sexta-feiras. Jaime Amato é apontado como sendo o líder da quadrilha, no Estado e um dos homens fortes de Beira-Mar.
Na escuta telefônica, ele conversa com o traficante que estaria escondido numa fazenda em Capitão Bado. As outras conversas são com Aquiles Prestes, que seria seu companheiro e também envolvido no narcotráfico, com Alessandro, que atua em São Paulo, e com Reginaldo Pinheiro, que seria um dos responsáveis pela venda da droga. Amato está desaparecido há duas semanas até o pó baixar, como declarou Reginaldo nesta semana. O rapaz cuida da casa e da mãe de Amato e nega envolvimento com o tráfico.
O esquema para trazer a droga do Paraguai e distribuí-la pelo País é sofisticado e não poupa a utilização de recursos tecnológicos. Os carregamentos de maconha, cocaína e crack são trazidos em aviões bimotor e jogados, em vôos rasantes, na região de Atibaia (SP). Beira-Mar fala que está preparando o envio de café (maconha), ladrilho (crack) e leite (cocaína).
Em São Paulo, a droga seria monitorada por Alessandro Santos, conhecido ainda como Sandro e João. Ele acabou sendo preso há três meses, no interior de São Paulo. Jaime Amato também monitora a chegada da droga em Atibaia. Para isso, eles usam telefones clonados e até telefones via satélite, segundo as gravações. A Folha teve acesso a mais de dez números de telefones, mas a maioria já está desligada.
Os telefonemas mostram ainda que os lucros do narcotráfico são repartidos e vão engordar contas de doleiros, entre eles estaria o libanês Khaled Nawaf Aragi, preso na semana passada em Corumbá (MS) e levado para o Rio de Janeiro. O excedente do dinheiro é remetido a paraísos fiscais. Beira-Mar paga até 5% pela abertura das contas.





