Curitiba - A praça de pedágio que será instalada na BR-116, sentindo Curitiba/São Paulo, pode ser construída depois da entrada da Estrada da Graciosa, segundo informações dadas ontem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Entretanto, a ANTT garantiu que não vai realizar nova audiência pública sobre a instalação de três praças de pedágio no Paraná.
A audiência promovida pela Agência em Curitiba na última quinta-feira ficou pela metade por causa de uma confusão gerada por manifestantes. Mas já foi o suficiente para que o presidente da Paraná Turismo, órgão do governo do Estado, Jorge Demiate, propusesse transformar as novas praças em pedágios de manutenção geridos pelo governo estadual, o que desagradou a Secretaria de Estado dos Transportes.
Para o Paraná estão previstas três praças de pedágio no lote de 3 mil quilômetros que vão ser privatizados pelo governo federal (1.175 km ficam no Estado). A ANTT afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai comentar as propostas feitas durante a audiência e nem se serão analisadas. Isso porque o momento para falar sobre isso seria justamente no evento, que foi interrompido.
Ainda de acordo com a assessoria, a proposta de mudar a praça de pedágio que seria instalada antes da Graciosa, deixando todos os acessos ao Litoral do Paraná cercado por pedágios, já estava sendo considerada viável, mesmo antes da adiência. Esta é a maior polêmica em relação a instalação dos pedágios no Estado e, por isso, o maior alvo de críticas e sugestões durante as discussções com a ANTT.
Outra sugestão causou mais polêmica ontem. Demiate, único membro do governo que participou da audiência, infomou por meio de nota divulgada na Agência Estadual de Notícias ontem pela manhã que sugeriu à ANTT e ao Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) que as praças sejam transformadas em pedágios de manutenção.
Em entrevista à Folha, o presidente da Paraná Turismo, que é pré-candidato a deputado federal, explicou que fez a sugestão porque acredita que o governo do Estado tem condições de investir nas estradas. ''O governo do Paraná faria a gestão das praças e colocaria o dinheiro arrecadado na manutenção. E investiria por conta na melhoria das estradas. Com o tempo seria ressarcido'', explicou.
Apesar de ter feito a sugestão, Demiate afirmou que foi somente em nome da Paraná Tursimo e não conversou com o governador Roberto Requião (PMDB) antes. ''Falei só com o secretário dos Transportes (Waldyr Pugliesi)'', afirmou. No início do ano passado o governador cogitou a hipótese de implantar o pedágio de manutenção do Paraná. Mas no final das contas desistiu alegando que só levantou a questão para provar que as tarifas podem ser mais baratas se o objetivo for só a manutenção das estradas. Por isso Pugliesi ficou irritado ao saber da proposta. ''Ele só me disse que ia lá para defender os interesses do turismo no Paraná. Essa é uma sugestão sem o aval do governo. Uma hipótese que está descartada'', afirmou.
Depois do desentendimento interno, a nota da Paraná Turismo foi retirada da Agência Estadual de Notícias. A justificativa, segundo a assessoria do Palácio Iguaçu, é porque o governo do Estado não considera correta as informações repassadas por Demiate.

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