Graça e Lobão falarão sobre refinaria
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quarta-feira, 26 de março de 2014
Das Agências 
Brasília - Com o aval do Palácio do Planalto, a presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) marcaram para os dias 8 e 15 de abril seus depoimentos em duas comissões do Senado para explicarem a compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal brasileira. Os dois serão ouvidos pelas Comissões de Assuntos Econômicos e Fiscalização e Controle do Senado em audiências conjuntas. As datas foram negociadas pelo governo com o objetivo de enfraquecer as articulações da oposição para que a CPI da Petrobras seja instalada na Câmara e no Senado.
O Planalto avalia que os depoimentos podem dar fim à crise envolvendo a empresa estatal desde que a presidente Dilma Rousseff admitiu ter dado aval à compra da refinaria. "É uma clara demonstração do governo de que não estamos querendo fugir de nenhum problema. O Congresso tem condições de ter acesso às investigações sem a CPI", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).
O governo optou por marcar primeiro o depoimento de Foster porque considera que a presidente da Petrobras terá melhores condições de explicar o negócio. Foster fala no dia 8 nas duas comissões, enquanto Lobão será ouvido no dia 15, também em audiência conjunta.
Senadores petistas se revezaram na tribuna do Senado ontem para criticar a instalação da CPI. Ex-ministra da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a compra da refinaria de Pasadena era vantajosa para o país em 2006, por isso a presidente Dilma Rousseff não pode ser responsabilizada por eventuais prejuízos do negócio aos cofres públicos. "É uso político. Está se tentando fazer de um momento como esse palanque político", atacou Gleisi.
Costa disse que "marqueteiros enfurnados em salas confortáveis" querem viabilizar a CPI para que a oposição enfraqueça a imagem de gestora da presidente Dilma. "É conversa repetida à exaustão para atacar a imagem da presidente."
Assinaturas obtidas
A oposição anunciou ontem ter o apoio de pelo menos 29 senadores para instalar a CPI da Petrobras no Senado. O número mínimo de 27 apoios necessários deve ser ultrapassado com "traições" de senadores governistas e o apoio do PSB de Eduardo Campos (PE). Agora, o Planalto fará uma ofensiva para que governistas retirem suas assinaturas. Caso não consiga, vai trabalhar para que a CPI seja mista (Câmara e Senado), e não restrita aos senadores. A avaliação do governo é que uma CPI apenas no Senado pode virar palco de campanha para o tucano Aécio Neves.
Na Câmara, onde a oposição também corre atrás de assinaturas, é necessário o apoio de pelo menos 171 deputados.
O requerimento de criação da CPI pede apuração sobre a compra da refinaria de Pasadena, de superfaturamento de refinarias, irregularidades em plataforma, além da suspeita de que a empresa holandesa SBM Offshore, que aluga plataformas a companhias de petróleo, pagou suborno a empresas em vários países, incluindo o Brasil.


