Os deputados aliados que votaram contra o governo na MP 1.720 poderão sofrer outras retaliações além do corte de emendas parlamentares no orçamento da União. O governo está disposto a pedir de volta os cargos de confiança no segundo e terceiro escalões que haviam sido indicados por deputados infiéis. A idéia que está sendo analisada é remanejar os cargos no início do segundo governo de FHC para poder contemplar os parlamentares que apoiaram o governo.
‘‘Por que favorecer aqueles que estão contra o governo?’’, questionou um ministro. ‘‘É natural que a prioridade na liberação das verbas e na redistribuição de cargos seja em favor dos parlamentares fiéis’’, disse. O governo está estudando a forma que adotará para tirar os cargos de alguns aliados. A votação da última quarta-feira - quando 108 deputados governistas ficaram contra a MP que estabeleceria a contribuição dos inativos - não deverá ser o único critério adotado para castigar os aliados.
Haverá um mapeamento geral da votação de todas as MPs que regulamentam a Reforma da Previdência. Os parlamentares considerados ‘‘irregulares’’ deverão perder os cargos. Dentro do governo existem cerca de 500 cargos indicados por parlamentares que são considerados bons e que dão prestígio aos deputados em seus estados. São cargos como superintendências da Polícia Federal, DNER, Incra, Ibama e INSS. ‘‘As pessoas tem que definir se estão ou não com o governo’’, avisa o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB- SP).
Alguns deputados poderão perder os cargos nos próximos meses. A previsão feita é que pelo menos 100 cargos de deputados infiéis serão remanejados. Parlamentares como o deputado Delfim Netto (PPB-SP) e Severino Cavalcanti (PPB-PE) poderão ser punidos.

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