Governo vai punir suprimindo emendas dos parlamentares
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sexta-feira, 04 de dezembro de 1998
Cláudia Carneiro e José Ramos Agência Estado 
O governo vai apresentar ao Congresso a conta pela derrota que sofreu na noite de quarta-feira, quando foi derrubada a MP do servidor. Além do corte das emendas parlamentares no Orçamento da União, interlocutores do presidente Fernando Henrique Cardoso confirmaram que a punição poderá ser acompanhada pelas próximas edições do Diário Oficial, que deverá trazer a demissão de apadrinhados políticos de parlamentares, lotados em cargos federais.
A medida da reação do governo foi dada pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao defender ontem um exame de lealdade dos parlamentares que participam da base do governo. Os que não forem leais devem até mesmo sair dos partidos, sugeriu ele. Este é o momento de o governo fazer uma divisão entre os parlamentares, dando um tratamento diferenciado àqueles que, mesmo nos momentos mais difíceis, não deixaram de apoiar o governo, emendou o líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF).
Dos 390 deputados que compõem a base governista, 210 recusaram apoio ao governo na MP que aumentava não só a carga tributária sobre os salários dos funcionários públicos, mas também sobre os próprios salários dos parlamentares. Durante a votação da MP na noite de quarta-feira, ouvia-se no plenário do Congresso deputados advertindo seus colegas, em voz alta, sobre o efeito da medida, afirmando que a MP atingira a pensão paga pelo Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC).


