Brasília - O governo do PT vai jogar duro com o governo norte-americano no que diz respeito as relações internacionais de comércio. O recado foi dado, ontem, pelo senador eleito por São Paulo, deputado Aloizio Mercadante. Ele participou, na Granja do Torto, da reunião do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva com o secretário-adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Otto Reich. ''Essa foi a síntese da intervenção do presidente eleito na reunião'', contou Mercadante.
Segundo o deputado, o novo governo estará muito mais empenhado na defesa dos interesses nacionais, ao mesmo tempo que está aberto a aprofundar as relações comerciais, políticas, diplomáticas e institucionais com outras partes do mundo, especialmente com o país economicamente mais importante, que é os Estados Unidos.
Mercadante reconheceu que os norte-americanos sempre jogaram duro na defesa dos seus interesses. ''Agora eles vão ter um governo (no Brasil) que vai jogar tão duro quanto eles'', argumentou. O Brasil, segundo o deputado, não pode repetir o que houve no primeiro mandato do atual governo, quando as exportações americanas para o País cresceram 116% e as brasileiras para os EUA subiram apenas 5,6%.
''Precisamos restabelecer um comércio onde os dois países ganhem'', afirmou. A estratégia para ampliar o mercado, de acordo com Mercadante, será a construção de uma agenda positiva nas negociações com o governo norte-americano, em troca de uma agenda positiva da parte deles.
Como exemplo de negociação, Mercadante citou o combate à pirataria dos CDs, que é uma antiga reclamação do governo americano. Segundo o deputado, dos 170 milhões de CDs vendidos no Brasil, 100 milhões são piratas. ''Não pagam direitos autorais, não recolhem os impostos, prejudicam os nossos artistas. Isso é uma coisa na qual o nosso governo vai se empenhar para combater, organizar essa indústria e baratear o preço dos CDs'', afirmou.
Da parte dos americanos, Mercadante citou como ponto a ser discutido, a sobretaxa ao álcool brasileiro, que paga 100% de impostos. Ele lembrou que a política ambiental americana exigirá cada vez mais o consumo de álcool, mas a produção do País mal abastece a Califórnia. ''O Brasil é o maior produtor de álcool do mundo, e eles vão ter que comprar álcool'', comentou.
Com a agenda positiva, o senador eleito por São Paulo acredita que o novo governo terá condições de dobrar, em quatro anos e triplicar em oito anos as exportações do Brasil para os Estados Unidos, hoje em torno de US$ 30 bilhões. ''Os americanos são os maiores importadores da economia mundial. Compram duas vezes mais do que a Europa e quatro vezes mais que o Japão. E o nível do comércio Brasil-Estados Unidos é muito pequeno para o tamanho das duas economias'', argumentou. Ele disse que a meta de exportação para os Estados Unidos é de US$ 100 bilhões.

mockup