Curitiba - O Governo do Estado pretende fazer um aporte de R$ 540 milhões na Companhia de Saneamento do Paraná S.A. (Sanepar). Os recursos já estão garantidos, mas ainda não está definido quando o investimento será realizado. Com isso, o Governo do Estado, que hoje detém 59% das ações, aumentará sua participação na empresa e, consequentemente, seu poder de pressão sobre o consórcio Dominó Holdings, que detém 39,7% das ações.
''Não existe nada definido ainda. A diretoria da Sanepar está analisando o aporte e só depois vai enviar o assunto para o conselho, que vai propor à assembléia de acionistas'', explicou o procurador-geral do Estado e presidente do Conselho de Administração da Sanepar, Sérgio Botto de Lacerda.
A disputa entre o Governo e a Dominó pelo controle da Sanepar vem desde o início do governo Requião. Apesar de ser sócio-minoritário, um pacto, firmado em 1998, determinava que a Dominó assumisse o comando. Em fevereiro de 2003, no entanto, o governador Roberto Requião (PMDB) baixou um decreto anulando o pacto. A partir de então, iniciou-se uma disputa judicial entre as partes. No último round dessa briga, a 4 Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná manteve a liminar que acabou com os efeitos do pacto de acionistas, que mantinha a companhia sob o controle do grupo privado.
Em reunião do secretariado, ontem de manhã, o presidente da Sanepar, Stênio Jacobs, assinou ordens de serviço para a execução de obras de esgoto em cinco municípios da Região Metropolitana de Curitiba, totalizando investimentos de R$ 172 milhões. Além da Capital, estão previstas obras de saneamento em Colombo, Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais. Com isso, segundo Jacobs, Curitiba subiria de 77% para 88% de coleta e tratamento de esgoto. ''É um número bem signficativo. A média nacional das cidades é de 37% de coleta'', disse Jacobs.
Jacobs reconhece que em muitas cidades do Estado ainda não existe qualquer coleta de esgoto, mas os planos da empresa, segundo ele, prevêem chegar em 2010 a uma cobertura de 65% em cidades entre 5 mil e 50 mil habitantes e 85% nas cidades acima de 50 mil habitantes.
Ao anunciar os investimentos, o governador Roberto Requião (PMDB) criticou alguns deputados que, de acordo com ele, não consideram recursos em saneamento como investimentos na área da saúde. ''Eu insisto e denuncio a postura dos lobistas de laboratórios que não querem que o sanaemento seja considerado como investimento em saúde pública, mas aceitam como investimentos em saúde a compra de antidirréicos, de aspirinas e outros medicamentos'', disse.

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