Curitiba O governo do Paraná quer fazer um mapeamento da legalidade de contratos e de valores gastos e a pagar das principais obras inacabadas deixadas pelo governo Jaime Lerner (PFL), que ficou oito anos no poder. O governo promete criar uma espécie de força-tarefa, composta por entidades civis, para fazer esse trabalho, que vai incluir um raio-x da situação das construções pendentes.
De acordo com o Palácio Iguaçu, estão sendo convidados representantes do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC).
Os alvos de análise são o Canal da Música, NovoMuseu, Parque da Ciência e os cine-teatros do interior. Segundo um integrante do governo Roberto Requião (PMDB), o prédio que abriga o Canal da Música, no Bairro Mercês, por exemplo, contém rachaduras e infiltrações, o que gera risco de curto-circuito nas instalações elétricas. O projeto de reforma, iniciado por Lerner, foi estimado em R$ 1,9 milhão. O governo Requião teria de injetar R$ 1 milhão para concluir a construção, entre outras coisas, de luxuosos estúdios de vidro.
O NovoMuseu, obra do arquiteto Oscar Niemeyer, embora inaugurado no apagar das luzes do governo Lerner, ainda dependeria de alguns arremates. A pomposa obra, estimada em US$ 14 milhões, é uma das mais polêmicas. Requião, assim que assumiu o governo, foi avisando que a obra não seria prioridade em seu governo e que a sede da Secretaria da Cultura tende a se transferir para parte dos 33 mil metros quadrados de área construída.
O destino do Parque Castelo Branco, onde Lerner pretendia instalar o Parque da Ciência, ainda é uma incógnita. Requião já avisou que não vai dar continuidade ao projeto de seu antecessor. O parque temático, idealizado por Lerner e já em andamento, está orçado em R$ 19 milhões e o Palácio Iguaçu estuda a possibilidade de reativar feiras agropecuárias no local.
Os cinemas do interior, recuperados através de um programa da Secretaria de Estado da Cultura, também passarão pelo pente-fino principalmente porque depois que o atual governo descobriu que vários espaços foram reinaugurados sem conterem projetores próprios.
O grupo que vai fazer o mapeamento para Requião pretende trabalhar em conjunto com técnicos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano. Eles deverão determinar a situação em que as obras se encontram, quais as medidas a serem tomadas para sua correção e finalização e elaborar ainda um cronograma de entrega.
De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), foram deixadas 1.055 obras inacabadas no Paraná.

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