Governo vai investigar fraudes na UEM
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sábado, 01 de dezembro de 2001
Marta Medeiros<br>De Maringá 
O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, disse ontem que vai determinar segunda-feira a abertura de um processo administrativo para averiguar as irregularidades na folha de pagamento dos servidores da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Segundo o secretário, a administração da universidade já deveria ter tomado ''decisões corretivas'' para evitar oneração aos cofres públicos. ''Se as irregularidades forem de fato constatadas, quem será responsável por tudo isto?'', questionou o secretário.
Para Ramiro, o processo administrativo não fere a autonomia universitária porque a secretaria tem o poder de fiscalizar as instituições de ensino superior. ''A nossa intenção é não intervir na UEM, mas se as distorções não forem corrigidas não há outro caminho. Mas por enquanto o caminho é o processo administrativo'', explicou o secretário.
Ramiro disse que ficou surpreso com as matérias da Folha revelando as supostas irregularidades no pagamento de servidores. Estimativas de pessoas ligadas à reitoria apontam que as irregularidades e desvios cometidos nos últimos anos podem chegar a R$ 8,6 milhões 10% do valor anual da folha de pagamento da UEM, prevista em R$ 86 milhões. ''Mais (surpreso) ainda depois que observei que a reitora (Neusa Altoé) está levando muito tempo para apurar a situação'', criticou o secretário. ''A universidade deve fazer a lição de casa sem esperar'', completou.
O secretário lembrou que as irregularidades foram constatadas em agosto de 2000 e não há ''explicações'' sobre os motivos pelos quais até agora a reitoria não solicitou a revisão dos benefícios e a suspensão de pagamentos. ''Lógico que o futuro processo administrativo vai servir para constatar de fato as irregularidades, mas os indícios apurados até agora já dão conta de que providências poderiam ter sido tomadas'', insistiu Ramiro.
Um relatório elaborado por uma comissão interna da UEM encontrou 18 tipos de irregularidades no pagamento de benefícios e gratificações dos servidores, além de atribuições de cargos e funções sem critérios. A comissão foi instalada em fevereiro do ano passado depois que professores, através de um ofício, pediram uma auditoria preocupados com denúncias de corrupção dentro da universidade.
Segundo a reitora, só o Conselho de Administração (CAD) pode dar um parecer sobre o relatório da auditoria, e, a partir daí, tomar providências junto à Pró-Reitoria de Recursos Humanos. Apesar de a conclusão do relatório ter sido em agosto do ano passado, o documento foi encaminhado para o CAD em abril deste ano. Nenhum dos pagamentos irregulares feitos na universidade foi suspenso, conforme a Folha noticiou na edição de ontem.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) teve acesso ao relatório, durante a participação de uma reunião do CAD, e levou o caso para o Ministério Público, que abriu um inquérito civil para apurar os fatos.


