Governo vai encerrar contrato com oficina após suspeitas de superfaturamento em serviços
CPI aberta na AL para apurar suspeitas de superfaturamento na manutenção da frota agenda primeira oitivas para próxima semana
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de junho de 2019
CPI aberta na AL para apurar suspeitas de superfaturamento na manutenção da frota agenda primeira oitivas para próxima semana
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

Duas frentes decisivas contra o contrato firmado entre a oficina JMK e o governo do Estado para manutenção da frota oficial de veículos estão programadas para a próxima semana. Na Assembleia Legislativa, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga as fraudes realiza as primeiras oitivas na próxima terça-feira (25). Já o Executivo promete abrir uma licitação emergencial para substituir a empresa também após o feriadão.
De acordo com a Polícia Civil, os responsáveis pela JMK teriam estabelecido uma sistemática que envolvia a falsificação e adulteração de orçamentos de oficinas mecânicas para onerar o valor do serviço prestado. Os superfaturamentos chegavam a 2.450%.
Segundo o secretário estadual de Administração, Reinhold Stephanes, a contratação emergencial deve ir a público na próxima semana para um período de vigência de 180 dias. A medida será adotada até a conclusão da licitação normal, que deverá acontecer na primeira quinzena de julho e será contratada após à emergencial. "As novas licitações foram preparadas ao longo de 4 meses, técnica e juridicamente bem executadas a fim de não repetirem os erros do passado", disse.
Apesar dos indícios de irregularidades verificados desde o início da atual gestão, o Estado foi obrigado a prorrogar o contrato com a JMK por seis meses, de janeiro a julho. A medida foi adotada em razão do risco de descontinuidade na manutenção da frota do Estado, um serviço que já apresentava problemas, segundo nota do governo.
De acordo com a investigação policial, o prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 125 milhões. Há suspeitas de que as atividades criminosas aconteciam desde o início da execução do contrato, em junho de 2015, na gestão do ex-governador Beto Richa (PSDB). O oficina nega irregularidades nos contratos.
CPI
Na AL, a CPI da JMK deverá ouvir os delegados Alan Flore e Guilherme Dias, da Divisão de Combate à Corrupção, na próxima terça. Presidida pelo deputado estadual Soldado Fruet (Pros), a comissão tem 120 dias para apurar os desdobramentos políticos e se houve omissão de agentes públicos na fiscalização do contrato para manutenção da frota. "A parte criminal para apurar as responsabilidades dos empresários e agentes públicos está sendo investigada. Não posso adiantar os próximos passos, mas a polícia já compartilhou documentos que irão nos embasar."
O deputado estadual disse que a procuradoria jurídica da Casa irá ajudar na análise documental do farto material apreendido na operação que comprovaria o crime. A comissão foi instalada no último dia 4 de junho, e na reunião do último dia 12 foi definido o plano de trabalho, com aprovação dos primeiros requerimentos.
Soldado Fruet negou qualquer blindagem do governo contra a apuração. "Muito pelo contrário, o relator, deputado Jacovós (PL), é um delegado da polícia experiente e iremos fazer um relatório excelente para esclarecer o fato."
Segundo o delegado Alan Flore, o inquérito da Operação Peça Chave ainda está em aberto para análise de materiais apreendidos e demais inquirições. "O nosso trabalho e o da CPI são distintos. Somente com o término de ambos poderemos ter uma noção de que eles vão se complementar", resumiu Flore.


