Curitiba - Centenas de professores da rede estadual de ensino aderiram à paralisação de um dia e saíram às ruas ontem nas principais cidades do Estado para protestar contra o recuo do governador Roberto Requião (PMDB) em conceder reajustes salariais retroativos a fevereiro. Em represália à manifestação, o governo do Estado anunciou que vai descontar o dia parado e cortar o descanso semanal remunerado de quem aderiu ao movimento.
Professores da rede pública de Londrina e região fizeram protesto no Calçadão. Os manifestantes também reagiram às recentes declarações de Requião, que classificou os professores como ''ingratos'' por não se contentarem com o Plano de Cargos e Salários.
O presidente do núcleo da APP-Sindicato em Londrina, Luiz Martins, afirmou que a categoria já havia cedido ao governo, aceitando o reajuste retroativo apenas a fevereiro, e não ao ano passado, como reivindicado antes. Segundo Martins, os professores irão discutir a possibilidade de realizar greve ou paralisação parcial, durante uma assembléia marcada para o sábado. De acordo com Martins, mais de 500 professores participaram da manifestação ontem. A estimativa da APP, é que cerca de 80% da categoria parou em Londrina e região.
A manifestação em Curitiba reuniu professores de diversos municípios, como Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ivaiporã e Maringá, entre outros. O número de manifestantes na passeata da capital é divergente. Segundo a APP-Sindicato, participaram da manifestação cerca de 3 mil pessoas. Para a Diretran, responsável pelo trânsito em Curitiba, havia perto de 1,5 mil manifestantes. Já de acordo com José Lemos, presidente da APP-Sindicato, cerca de 90% dos professores estaduais paralisaram ontem as atividades nas 2.059 escolas do Estado. A Secretaria de Estado da Educação informou que cerca de 3% das escolas (ou 61 escolas) aderiram à paralisação.
''O governador traiu a confiança dos professores. Estamos denunciando a atitude arbitrária do governador, que, sem mais nem menos, veta o próprio projeto, votado e aprovado por ele. Não podemos aceitar mais mentiras. Já havíamos aceitado os 30% de reajuste, mesmo tendo direito a 95%, mediante o congelamento de nove. Mesmo assim, não está suficiente. Não aguentamos mais'', disse Lemos, durante a passeata. (Colaboraram Vanessa Navarro e Candice Dequech)

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