Governo vai apurar denúncia de vereador
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sábado, 27 de outubro de 2001
De Londrina<br> e Curitiba 
A Secretaria da Saúde do Paraná informou ontem, por meio da assessoria de imprensa, que estranha a denúncia de que medicamentos fornecidos pelo Estado possam estar fraudados. No início da semana, a secretaria pretende colher informações mais detalhadas sobre o assunto, como o nome dos medicamentos que estão sob suspeita.
Ainda segundo a secretaria da Saúde, todos os medicamentos repassados ou comprados pelo Estado do Paraná possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e, portanto, têm qualidade controlada pelo Ministério da Saúde.
Além do problema com a suposta fraude em medicamentos, outra denúncia encaminhada pelo vereador Alaor Euzébio dos Santos ao Ministério Público é a de que médicos concursados do município de Assaí estariam repassando parte do salário a médicos plantonistas. ''Ele (o médico) falou que estava repassando R$ 2 mil para o diretor da Saúde e mais R$ 1,5 mil para pagar os médicos não concursados. Eu me assustei com essa informação e perguntei se era só ele que estava pagando. Ele me respondeu que seria ele e mais três médicos concursados'', disse Santos.
O secretário de Saúde, José Luiz Pançan, negou que recebesse dinheiro dos médicos, mas confirmou que o esquema de ''terceirização'' do serviço de plantões em postos de saúde e no hospital municipal existia há mais de quatro anos. ''Temos alguns plantonistas que fazem parte do quadro da prefeitura, no entanto, alguns médicos tinham plantões fixos em determinados dias da semana e muitas vezes não faziam seu plantão. Para não ficar sem ninguém, era convidado plantonista de fora. Esse médico, que é concursado, recebia o seu plantão e repassava para o plantonista'', relatou.
O secretário prosseguiu: ''Até onde nos consta, isso existiu durante quatro anos na gestão anterior, e desde que entramos procuramos maneiras de solucionar esse problema'', afirmou. ''Eu acho que perigoso é deixar o hospital sem plantonista e morrer alguém na porta do hospital. Isso sim acho que é perigoso e é crime.''
Atualmente, os médicos plantonistas têm um contrato temporário com o município. O prefeito disse ter consciência do problema, mas disse estar tranquilo caso seja questionado pelo Tribunal de Contas (TC) do Estado. ''O problema já existia quando assumimos''.
O vereador disse que deverá levar as denúncias para a Câmara e propor a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). ''Eu levei isso primeiro na promotoria porque eu confio na Justiça e gostaria que acontecesse aqui em Assaí o mesmo que aconteceu em Londrina: o afastamento pelo menos dessas pessoas até a verdade ser realmente resgatada'', afirmou. (C.O.)


