BRASÍLIA - O governo vai colocar a emenda da reeleição em votação no plenário sem ter garantidos os 308 votos necessários. Encorajado pela cúpula do PFL, por governadores e pelo comando do PSDB a fixar uma data-limite para facilitar a mobilização de votos, o Palácio do Planalto topou o risco: aceita votar a emenda sem a margem de segurança de 20 a 30 votos com os quais contava antes da crise com o PMDB. A contabilidade de ontem foi fechada com 298 votos.
Reunidos na casa do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), os líderes aliados e o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, concluíram que há chances de êxito na operação para manter o calendário. O presidente licenciado do PFL, embaixador Jorge Bornhausen, esteve logo cedo no gabinete de seu adversário, o presidente do PPB, Esperidião Amin (SC). Flagrado na saída, Bornhausen justificou: ‘‘A reeleição é nossa causa maior.’’ Pelas contas dos governistas, o PPB dará pelo menos 40 votos ao governo.


Contabilidade feita
ontem apontava
10 votos a menos que
o exigido


Na opção pela pressa, prevaleceu a avaliação de que o tempo corre contra o governo. A fixação de uma data, ao contrário, agrega apoios. ‘‘Não fixamos o dia certo, mas insistimos na data porque ela tem um sentido de imantação, atrai parlamentares e solidariedade’’, emendou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP).
O líder do governo no Senado, Élcio Álvares (ES), disse que o governo trabalha ‘‘dedicadamente’’ nos últimos dias para votar logo a emenda. Élcio avaliou que o governo tem boas chances de êxito.
‘‘A reflexão que o governo fez sobre o plebiscito produziu efeitos positivos’’, avaliou. Ele acredita que o receio de se tirar a decisão do parlamento, jogando a reeleição para uma consulta popular, virou pelo menos dois votos contrários na bancada do Espírito Santo: o de Luiz Buaiz (PL) e o de Luiz Durão (PDT).
Ao insistir no calendário que previa para a semana que vem o exame da reeleição no plenário da Câmara, o presidente Fernando Henrique Cardoso também fixou um prazo para os entendimentos com o PMDB. ‘‘Se o Planalto estender muito as conversas com o PMDB, vai dar a impressão de negociação imoral’’, ponderou um dirigente do PSDB.

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