Governo usa encampação para negociar
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quinta-feira, 26 de junho de 2003
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Um dia depois do governador Roberto Requião (PMDB) sugerir uma redução de 50% nas tarifas de pedágio, no caso de intervenção, sua equipe de governo voltou a falar em reduzir, em média, 30% os preços cobrados pelas seis concessionárias que operam 26 praças em todo o Estado. Esse deverá ser o percentual colocado em pauta nas negociações com as concessionárias, que foram retomadas ontem. Duas delas a Caminhos do Paraná e a Econorte já haviam sinalizado com a possibilidade de reduzir em 30% as tarifas.
A encampação do pedágio aprovada pela Assembléia Legislativa anteontem será o caminho que o governo irá adotar, caso não haja acordo com as concessionárias. ''O governo tem um instrumento para caminhar na direção da encampação, se as concessionárias não se submeterem ao interesse público e ao interesse da economia do Paraná, que devem se sobrepor ao interesse de uma ou outra concessionária'', avisou o secretário de Estado dos Transportes, Waldyr Pugliesi.
O secretário não quis se comprometer com números, mas garantiu que o governo irá estabelecer um percentual mínimo de redução, analisando individualmente a situação de cada concessionária. O que o governo ainda não deixou claro é qual poderá ser o percentual de redução no pedágio no caso de encampação, já que a medida valerá para os casos em que não haja acordo.
O governo conseguiu agilizar a aprovação das mensagens de encampação, mas não há prazo para que a medida seja colocada em prática ou para se esgotarem as negociações com as concessionárias. ''O governo está montando sua estrutura para a encampação e não se limitou estabelecendo prazo'', afirmou Pugliesi.
O secretário garantiu, no entanto, que o governo tem pressa em dar uma resposta à população e aos representantes dos movimentos que apóiam a redução ou fim do pedágio. A pressa é, também, de ''estancar essa sangria desatada'', disse o secretário referindo-se ao lucro diário das concessionárias que, segundo ele, seria de R$ 1,5 milhão. ''Tenho informações aqui de que até novembro de 2002 eles arrecadaram R$ 1,3 bilhão'', acrescentou.
Pugliesi voltou a falar da disposição do governo em negociar com as concessionárias. O mesmo discurso se repete pelo lado das concessionárias. Mas a dificuldade, avaliou o secretário, está em chegar a um consenso quanto à redução das tarifas. Outra divergência de opiniões é o valor que as concessionárias calculam que o governo deveria pagar para encampar as 26 praças R$ 3 bilhões. ''Com esse valor dá para fazer uma via asfaltada de ida e volta para a Lua'', ironizou Pugliesi.
Na tarde de ontem, representantes da concessionária Rodovia das Cataratas reuniram-se com o secretário de Transportes para uma primeira conversa sobre a possibilidade de reduzir as tarifas . A empresa é responsável por cinco praças de pedágio nos 387 quilômetros da BR-277 entre Guarapuava e Foz do Iguaçu.


