BRASÍLIA - A cúpula política do governo começou ontem a pôr em prática a substituição de deputados suplentes contrários à reeleição pelos titulares das vagas que estejam dispostos a aprovar a emenda. A estratégia é: se o deputado não muda o voto, muda-se o deputado. Júlio Redecher (PPB-RS) é o primeiro da lista. Computado como voto contra a reeleição, ele será afastado durante a votação no plenário. No seu lugar votará o secretário de Obras Públicas do Rio Grande do Sul e titular da vaga, Telmo Kirst.
A licença de Kirst do governo gaúcho foi combinada com o governador Antônio Britto (PMDB), aliado do projeto que permite ao presidente Fernando Henrique Cardoso disputar um segundo mandato em 1998. Todos os suplentes de partidos governistas contrários à reeleição poderão ser substituídos para fechar a conta de 308 votos necessários à mudança na Constituição.‘‘Isso é natural’’, observou o líder do PSDB, José Aníbal (SP), que participa do grupo encarregado de ‘‘trabalhar’’ os votos dos deputados. A checagem de votos por parte do comando político do governo passou a ser diária e é feita simultaneamente por várias pessoas. Em alguns casos, o voto é checado pessoalmente por FHC.
Os governistas contestaram ontem a pesquisa de intenções de voto da ‘‘Folha de S. Paulo’’ e insistem que passa de 330 o número de deputados dispostos a aprovar a emenda da reeleição. Esse número não é considerado definitivo pelos autores da pesquisa governista e estaria sujeito ainda a ‘‘flutuações’’. Para os governistas, ‘‘muitos deputados enfrentam problemas regionais ou querem marcar posição: temos um universo de 380 votos para trabalhar’’, avaliou José Aníbal. ‘‘A pesquisa de forma alguma é preocupante: estamos atentos e ‘antenados’’’, disse. Para outros integrantes do comando político, o resultado da pesquisa da ‘‘Folha’’ mostra que muitos deputados estão mandando um recado ao governo e querem conversar antes da votação.

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