Agência Estado
De Brasília
O Palácio do Planalto está certo de que as eleições municipais de outubro não vão alterar a correlação das forças políticas no País e, portanto, não devem interferir nos planos traçados para os dois últimos anos de mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Levantamento preliminar feito por integrantes do núcleo de articulação política do Palácio do Planalto e pela direção nacional do PSDB indica que, a exemplo do que aconteceu com os governadores, em 1998, a possibilidade de reeleição manterá no comando das prefeituras, este ano, a maior parte dos atuais prefeitos, especialmente os das capitais.
‘‘O governo não está preocupado com as eleições de outubro, até porque as prefeituras de capitais e de cidades de médio porte continuarão sob o comando dos aliados’’, avalia o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira.
Outro ministro do núcleo político acredita que, por conta do instituto da reeleição, o peso das forças políticas só sofrerá alterações que mereçam uma análise mais profunda em 2002, quando serão eleitos os sucessores de Fernando Henrique e dos atuais governadores. ‘‘A eleição de 2000 repetirá a de 1998, essa é a realidade revelada pela reeleição’’, concorda o líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio (PSDB-AM).
Apesar da tranquilidade, sustentada por pesquisas de opinião, os articuladores políticos de Fernando Henrique estão dando atenção especial à disputa na cidade de São Paulo. Afinal, se prevalecer o quadro do momento, é na capital paulista que a aliança que dá sustentação política ao governo federal sofrerá a sua maior derrota. E é só uma eventual vitória de Marta Suplicy, do PT, que causa preocupação. ‘‘Com ela na prefeitura, o PT terá o palco necessário para sustentar uma candidatura à Presidência e à sucessão do governador Mário Covas’’, analisa um dirigente do PSDB.
Para o governo, uma possível vitória da candidata do PSB, deputada Luiza Erundina, não causará maiores prejuízos. Os analistas políticos do Planalto entendem que, mesmo sendo da oposição, a vitória da deputada ficaria circunscrita à capital paulista. A possível eleição de Erundina seria a de uma ex-prefeita da capital, não tendo o vigor partidário da vitória da petista. Até porque, entendem os governistas, o PSB não é uma legenda com a força nacional do PT. Além disso, Luiza Erundina conta com a simpatia de importantes setores do PSDB paulista e sua vitória dificilmente pavimentaria candidaturas às eleições de 2002.
A eleição em Fortaleza, no Ceará, também está merecendo atenção especial dos articuladores políticos do governo. É lá que o presidenciável Ciro Gomes, do PPS, pretende consolidar sua candidatura a 2002, elegendo a ex-mulher Patrícia Gomes. Ciro conta com o apoio do governador Tasso Jereissati (PSDB). ‘‘Não abro mão do apoio à candidatura de Patrícia Gomes; isso é uma questão da política municipal’’, garante Jereissati.
A aliança incomoda o Planalto, mas para não acirrar ainda mais os ânimos com o governador cearense o governo diz que não pretende interferir. Nem precisa. A tarefa ficará com a direção nacional do PMDB que considera ‘‘questão de honra’’ garantir a reeleição do prefeito Juracy Magalhães.

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