Governo torce por racha no MST, afirma Rainha
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segunda-feira, 21 de setembro de 1998
Edmilson Zanetti Agência Folha 
O líder do MST José Rainha Jr. disse ontem em Teodoro Sampaio (SP) que o governo promove uma queda-de-braço com o movimento para tentar apresentar à sociedade, como se fossem suas, realizações que na realidade seriam conquistas próprias. Para Rainha, está clara a intenção de setores do governo que apostam na divisão do MST para desgastar seus dirigentes e ficar com a paternidade do avanço da reforma agrária.
O governo não quer ficar como quem está cedendo e faz essa queda-de-braço para dizer: nós estamos fazendo. Não é verdade. O Estado segue a pressão do movimento social, que tem a conquista, disse. O governo quer ser o dono da criança. Num momento de crise, o que teria de fazer é o esforço conjunto, não a queda-de-braço, afirmou.
O dirigente lista como parte de uma campanha para desmoralizar o MST as acusações de envolvimento com plantações de maconha, de ligações com grupos extremistas do exterior e de formação de guerrilhas no Pontal do Paranapanema (SP). Só faltou atribuir ao MST a fuga de capitais do País. Ao tentar desmoralizar o MST, disse Rainha, o governo sai desgastado, porque não prova nenhuma acusação.
O dirigente vê no ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) um dos personagens do governo que estão a serviço dessa ala que controla o Estado muito mais pela direita. O ministro tem dito que as recentes ações de Rainha no Pontal não passam de um ajuste de contas do dirigente com o MST, depois que foi acusado de negociar com o governo. Para Rainha, as declarações do ministro são sem nexo e revelam falta de propostas, falta de projetos, falta de idéias.


