Governo terá bancada de aliados maior
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domingo, 15 de novembro de 1998
Doca de Oliveira Agência Estado 
Em seu segundo mandato, o presidente FHC deverá contar com uma base parlamentar mais fiel no Congresso. Levantamento de articuladores políticos de FHC indicam uma depuração da atual bancada governista: os resultados finais da eleição demonstraram que a maioria dos deputados aliados ao Planalto que costumavam trair os interesses do governo em plenário - votando contra ou mantendo posição indefinida - não se reelegeram.
Dos 407 deputados governistas, 169 não retornarão ao Congresso. A oposição perdeu mais representantes: 55 parlamentares. Com base na votação da reforma da previdência - cujo segundo turno foi concluído com sucesso depois de meses parado na Câmara - a mesma pesquisa mostra que aqueles deputados que conseguiram um novo mandato retornaram ao Congresso ainda mais sintonizados com o governo. Quem era da base do governo, mas votava contra, não se reelegeu, conta um importante cacique governista. E quem antes da eleição votava contra passou a votar a favor, acrescentou.
Uma análise mais acurada das urnas, dizem esses políticos, também indica que a nova safra governista - que vai assumir seu mandato no ano que vem - chega muito mais afinada a FHC. A base do governo tende a ser ainda mais firme, esses deputados vão se preocupar cada vez mais com a sua sustentação popular, explicou a fonte. Para esse político, as urnas deixaram um recado claro também para deputados e senadores: Que tenham uma posição mais clara.
Essa postura, inferiu, deverá traduzir-se em um apoio mais sólido ao governo, no caso dos parlamentares da base de sustentação. Na sua opinião, os votos independentes tendem a diminuir. Segundo um interlocutor do presidente no Congresso, a entrada dos novos deputados vai garantir mais fidelidade nas votações importantes para o governo. O eleitor escolheu parlamentares mais afinados com o governo.
O influente líder garante que a regulamentação das reformas administrativa e previdenciária e mesmo os rescaldos do programa de estabilidade fiscal, cuja votação certamente ficará para o próximo ano, será o primeiro teste dessa nova bancada. A expectativa é que a necessidade de grandes esforços para mobilização da bancada governista e, consequentemente, as extenuantes negociações para garantir votos sejam suavizados durante o segundo mandato.
PFL é exemploO mapeamento da bancada governista pós-eleitoral confirmou algo que já era sabido: o PFL é o mais fiel aliado do governo dentro do Congresso. Não porque em sua bancada na Câmara inexistam parlamentares que discordem dos desejos do Executivo, mas sim, porque mesmo discordando seguem a orientação do partido e votam a favor. Religiosamente. O PFL é impressionante, diz um aliado do governo, lembrando que outros partidos da base tentam, mas não conseguem tamanho controle sobre seus parlamentares.
Pelo levantamento que norteia a operação política do presidente no Congresso, a depuração das urnas limpou a bancada do PPB. O partido de Paulo Maluf mantinha 37 deputados do contra, um grupo que vota sistematicamente contra o governo ou que exige um esforço concentrado de persuasão. Desses, 19 não se reelegeram. A operação limpeza não poupou sequer o PSDB. O partido de FHC mantinha em sua bancada 19 deputados do contra, uma turma que votava sistematicamente contra ou mantinha-se neutro nas matérias importantes.
Desses, 13 não conseguiram um novo mandato. No PMDB, o contingente rebelde era maior: 30 deputados, dos quais 22 voltaram para casa depois do primeiro turno. O maior grau de depuração, contudo, foi observado no PTB, exatamente o partido em que a turma do contra era menor. Dos sete deputados que davam trabalho aos articuladores políticos do presidente, cinco não estarão no Congresso na próxima legislatura.


