Agência EstadoMeio a meioSarney deixa a casa da filha Roseana, em Brasília: vitória parcial e hora de partir para o ‘‘diálogo e o entendimento’’Os líderes do governo e dos partidos aliados ao Palácio do Planalto decidiram começar amanhã a discutir no plenário a emenda da reeleição e tentar aprová-la, em primeiro turno, dia 28, ou, no máximo, dia 29. Assim, a votação em segundo turno fica definitivamente adiada para depois de 15 de fevereiro, quando já estarão eleitos os novos presidentes da Câmara e do Senado. O governo cede, com isso, uma vitória parcial ao PMDB, que exigiu, em convenção, o adiamento de todo o processo.
‘‘Era preciso começar o jogo, porque a torcida já estava vaiando’’, disse o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. O governo continuará tentando quebrar a resistência dos senadores rebeldes do PMDB, que controlam pelo menos 26 votos na Câmara. O governo calcula já ter compensado parte desse prejuízo, com 12 votos que conquistou em outros partidos, mas continuará insistindo no PMDB. ‘‘Temos de oferecer uma saída honrosa ao PMDB’’, disse o lider do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Se não houver segurança dos votos, o governo admite adiar a votação.
Dispostos a manter a união da base governista, os líderes procuram levar a maioria do partido para o projeto de reeleição. ‘‘Vamos propor ao senador Iris Rezende (adversário do pefelista Antônio Carlos Magalhães na disputa pela presidência do Senado) um compromisso do PFL, PSDB e PMDB para garantir sua eleição a presidente da Casa em 1998’’, antecipou um líder. ‘‘Mas esta é uma boa alternativa para pacificar os aliados’’, acredita.
A decisão de marcar a data da votação para o dia 28, sem incluir o referendo popular, foi tomada ontem, durante um almoço no restaurante Piantella. Presentes, os líderes do governo, deputado Benito Gama (BA); do PFL, Inocêncio Oliveira (PE); do PSDB, deputado José Aníbal (SP) e do PMDB, Michel Temer (SP), além do ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos.

Senadores rebeldes
do PMDB controlam
pelo menos
26 votos na Câmara


‘‘Depois de cinco dias de conversa, fechamos esta data com o presidente Fernando Henrique Cardoso’’, contou Benito. ‘‘Não há hipótese de o governo deixar os dois turnos para depois de 15 de fevereiro, como decidiu a convenção do PMDB’’, completou o líder do PFL. Mas tanto Benito quanto o tucano José Aníbal insistem que a decisão não põe o PMDB contra a parede. ‘‘Se fosse para romper, votaríamos hoje’’, argumentou Benito. ‘‘O espírito não é de ultimato ao PMDB, a data-tentativa é dia 28’’, amenizou José Aníbal.
O líder Michel Temer comprometeu-se a ajudar o governo na negociação com os senadores peemedebistas, mas a missão não será fácil. Nem a data de votação nem a ‘‘compensação’’ sensibilizaram o PMDB do Senado. ‘‘Combinaram com os russos?’’, ironizou o líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), numa referência à resposta que o craque Garrincha deu ao treinador da seleção brasileira de futebol, que lhe recomendou cruzar a bola depois de driblar quatro jogadores da seleção russa.
O candidato Íris Rezende (GO) não demonstrou qualquer entusiasmo pela idéia de adiar para 1998 o projeto de presidir o Senado. ‘‘Não posso abrir mão de minha candidatura porque tenho compromissos com o PMDB e com o bloco de esquerda que me apóia’’, justificou Iris. Ele argumenta que, antes de fazê-lo candidato, seu partido decidira disputar o comando do Senado em qualquer circunstância, e que, ao fechar os votos das esquerdas, comprometeu-se a não renunciar em nenhuma hipótese.
Os senadores que mais resistem a votar já a emenda são o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o candidato Iris, o líder Jader Barbalho e o paraibano Ronaldo Cunha Lima. No esforço de pacificação, o presidente Fernando Henrique Cardoso abriu sua agenda noturna no Planalto recebendo Cunha Lima para uma conversa. O entendimento com Sarney está sendo intermediado por sua filha Roseana, governadora do Maranhão. Já está acertado que a conversa dos dois será em lugar ‘‘neutro’’ - nem o Congresso, nem o Planalto -, mas até ontem à noite o encontro não tinha data. ‘‘Não acertamos nada, mas se for chamado pelo presidente, conversaremos’’, antecipou Sarney.
‘‘A questão agora é política, de manter unida a base do governo, não é de contabilidade de votos’’, explicou Benito Gama. O governo calcula que, juntos, Sarney, Iris, Cunha Lima e Jader controlam os votos de 26 deputados. Sem eles, a contabilidade do governo cai de 332 votos favoráveis para 306, ainda abaixo do mínimo de 308 necessários para aprovar uma emenda constitucional. Mas esses dois votos que faltam, o governo aposta que virão sem esforço. Poderão sair do PPB do ex-prefeito Paulo Maluf, onde o apoio à emenda é crescente.

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