Governo tenta unificar discurso sobre privatização
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de abril de 2001
De Curitiba 
O treinamento realizado ontem pela Secretaria da Comunicação para unificar o discurso dos deputados da base de sustentação ao governo na Assembléia Legislativa sobre a privatização da Copel não trouxe novos argumentos. Os aliados afirmam que não adianta o governo bater na tecla de que a empresa vai perder a competitividade se não for vendida e que decidiu privatizá-la em obediência ao governo federal argumento já derrubado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse que a decisão cabe aos Estados.
Ricardo Maia (PSB) disse que o descontentamento na bancada continua. Não adianta só repassar dinheiro de convênio a municípios. O enxugamento da máquina administrativa tem que sair.. O governador Jaime Lerner (PFL) está analisando pessoalmente as mudanças e deve anunciar os cortes em breve. Maia disse que o governo sofre de descontrole de caixa e que não tem outra saída a não ser vender a Copel. Além disso, o governador se comprometeu a ouvir mais os deputados.
Apesar das reclamações, a avaliação da secretaria é positiva. O Palácio Iguaçu considera que a troca de informações foi proveitosa e que os deputados revelaram as dúvidas trazidas de bases eleitorais no interior. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), também fez um balanço positivo. Com a capitalização da Paraná Previdência, os governos posteriores vão gastar cerca de R$ 100 milhões mensais a menos com a folha de pagamento. Dos 31 parlamentares aliados esperados, 20 compareceram.
Segundo Maia, durante o midia training comandado pelo secretário Rafael Greca, foi mostrada uma pesquisa onde 80% da população estava contra, mas 60% mudaram de opinião depois que foram informados que o dinheiro será usado para capitalizar o fundo de previdência.
Para o deputado Antônio Carlos Barater (PL), a lição mais importante foi que os políticos não devem fugir da imprensa. Fernando Ribas Carli (PPB) não foi, mas disse que os argumentos usados não o convencem. O líder da oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB) criticou a iniciativa do Palácio. Esse negócio de dar aula para os deputados é subestimar a inteligência dis aliados. (M.D.)


