Governo tenta resgatar desvio de Lalau
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terça-feira, 21 de novembro de 2000
France Presse De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso autorizou ontem a contratação do escritório suíço de advogados Hauchmann Monfrini & Dottge, de Genebra, para tentar repatriar o dinheiro bloqueado na conta do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, acusado de desviar dinheiro público. Nicolau é acusado de participar do desvio de R$ 169 milhões (US$ 86,6 milhões ao câmbio atual) da construção do prédio que iria abrigar o Tribunal Regional Trabalhista (TRT) de São Paulo, quando era presidente do tribunal.
Nos últimos dias, novas revelações da imprensa destacaram que o juiz brasileiro Nicolau dos Santos Neto, de paradeiro desconhecido, supostamente no exterior, recebeu dinheiro em suas contas enviado pelo ex-senador Luiz Estevão, cassado por corrupção, proprietário da empresa encarregada de construir o prédio do TRT.
A Procuradoria da República revelou depósitos de Estevão de bancos em Miami para a conta do juiz na Suíça. Na semana passada, procuradores federais encontraram remessa de US$ 960 mil de Estevão para Lalau. O titular da conta do senador cassado tem outro nome. Para procuradores, há gente muito forte protegendo o ex-presidente do TRT.
De 1991 a 1994, o juiz movimentou US$ 6,8 milhões em uma conta do Banco Santander de Genebra, cujo saldo atual é de US$ 3,8 milhões, e que foi congelado pelas autoridades judiciais suíças. Em princípio temos que demonstrar, segundo a legislação suíça, que o dinheiro é fruto de desvio, e que seja decretada a perda dos bens obtidos, disse o advogado-geral da União, Gilmar Mendes.
Com relação ao dinheiro do ex-senador Luiz Estevão, Mendes disse que está esperando apenas a publicação do acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas da obra do fórum paulista, e a identificação dos responsáveis para cobrar o dinheiro desviado.


