O governo vai jogar pesado para tentar impedir que seja aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado o projeto do presidente do PPS, Roberto Freire (PE), que impede a privatização de empresas públicas do setor de geração e transmissão de energia. A maior preocupação do Planalto é com Furnas, que entrou em debate no Programa Nacional de Desestatização e cuja venda, de acordo com o cronograma do governo, está prevista para ocorrer no ano que vem. Há muitas resistências políticas à venda de Furnas, inclusive na base aliada.
Além da bancada mineira no Congresso, o presidente FHC enfrentará um outro grande inimigo neste processo: o governador de Minas Gerais, Itamar Franco que já avisou que vai fazer o que for possível para que Furnas não seja vendida.
‘‘O governo vai investir tudo para derrubar o projeto porque precisa mostrar para o exterior que não haverá mudanças no modelo de privatização’’, avisou o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), ex-presidente da CAE. Segundo ele, tão importante quanto ao valor a ser arrecadado – estimado em cerca de R$ 3 bilhões – é provar aos investidores externos que a tendência de privatização estabelecida pelo governo não será alterada.
Suassuna declarou que ‘‘é preciso continuar captando recursos no exterior e, para isso, o País tem de mostrar que a sua saúde financeira está muito boa’’. Na opinião de Suassuna, ‘‘não privatizar Furnas, por exemplo, seria o mesmo que dizer ao mundo que a doença está voltando’’.
Se o projeto de Freire for aprovado na CAE a privatização de Furnas está automaticamente suspensa porque o projeto não precisa ser apreciado em plenário. Restará a FHC vetá-lo, o que lhe traria um grande desgaste. A proposta foi aprovada na semana passada na Comissão de Constituição e Justiça, depois de um cochilo das lideranças do governo no Senado.

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