Governo tenta minar CPI Arquivo FolhaRossoni: destacado pelo Palácio para impedir CPI do tráfico O líder do governo na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PTB), tem até a próxima terça-feira para inviabilizar a instalação de uma CPI estadual para investigar o narcotráfico no Paraná. O deputado foi destacado informalmente pelo Palácio Iguaçu para minar a idéia e impedir que aliados da base de sustentação subescrevam requerimento da oposição. A Folha apurou que, no entendimento do governo, as atuais investigações são suficientes para mostrar que o Paraná não está tratando do problema com descaso. Alega que o assunto já vem sendo tratado pelo Ministério Público e, a partir desta semana, pelo próprio governo, que anteontem criou uma comissão especial com secretários, Ministério Público, Assembléia e Ordem dos Advogados do Brasil, para apurar responsabilidades dentro da Polícia Civil, O medo maior no governo é que a oposição transforme a CPI estadual numa bandeira política e fortalecer adversários do governador Jaime Lerner (PFL) em ano eleitoral. Rossoni está em campo desde ontem, tentando convencer setores aliados a não aderir ao discurso do PMDB, PT e setores do PDT. O deputado intensificará seu lobby em cima dos tucanos. O líder da bancada do PSDB, o mais governista dos tucanos Antonio Carlos Baratter, anunciou anteontem disposição do partido em aderir à criação da CPI. O anúncio pegou o governo de surpresa. Rossoni deve se reunir ainda hoje com os deputados da bancada, para convencê-los de que o ideal, antes de se criar uma CPI, é aguardar 30 dias o posicionamento da sindicância instalada pelo governo. A Comissão Especial de Investigação (CEI), criada no final do ano passado pela Assembléia para dar suporte às investigações da CPI de Brasília, decidiu ontem que apresentam somente na semana que vem relatório conclusivo. Ficou acertado que a CEI vai sugerir a criação de uma comissão parlamentar. Teoricamente, os deputados governistas que integram a comissão se comprometeram a assinar o relatório sugerindo CPI. Entretanto, o líder do governo teria garantias de que as coisas não se processarão desta forma. O líder da oposição, Edgar Bueno (PDT), acusou o Palácio Iguaçu de, assim como Rossoni, disparar telefonemas aos deputados para que os mesmos não avalizem a criação da CPI. Edgar Bueno, que está na iminência de ser substituído pelo novo líder da oposição Irineu Colombo (PT), não conseguiu avançar na coleta de assinaturas para a auto-instalação da CPI estadual. (L.D.)

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