Governo tenta impedir derrubada da MP do mínimo
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sexta-feira, 30 de abril de 2004
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Pressionado pelas críticas feitas até por integrantes da base aliada, o governo federal se prepara para montar uma forte estratégia política no Congresso para impedir que seja derrubada a Medida Provisória que fixa o novo salário mínimo de R$ 260. O governo vai influenciar diretamente na escolha dos relatores da MP na Câmara e no Senado e vai cobrar dos partidos aliados o apoio ao valor proposto. Tanto a base aliada quanto a oposição reagiram contra o novo valor do mínimo, que consideraram muito baixo, e ameaçam mudar a proposta do governo. O Palácio do Planalto deverá ter mais dificuldades para aprovar o mínimo no Senado, onde sua maioria parlamentar é mais frágil.
Um dos principais focos de resistência são os senadores petistas. ''É inaceitável esse salário mínimo. R$ 260 não dá'', criticou ontem a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), abrindo a sessão do Senado. ''Mas temos a convicção de que será possível encontrar alternativas de fontes de recursos para possibilitar ao governo melhorar o patamar proposto'', disse.
O senador Paulo Paim (PT-RS), que tem como sua principal bandeira política a luta pelo mínimo de US$ 100, já avisou que votará contra o valor de R$ 260. ''Acredito que a medida provisória não deverá passar no Congresso e também no Supremo Tribunal Federal da forma como está. Também não acredito que, como tem sido anunciado, os parlarmentares irão aprovar a medida em troca de cargos, porque estariam prejudicando mais de 100 milhões de trabalhadores e aposentados'', afirmou Paim.
Em sua avaliação, a decisão do governo de conceder o aumento de R$ 13,48 para R$ 20 do salário família apenas para quem ganha um salário mínimo e meio é ilegal. ''Quem ganha salário mínimo não tem poder de pressão, mas tem voto'', alertou o senador gaúcho. Os senadores Cristovam Buarque (PT-DF) e Geraldo Mesquita Júnior (PSB-AC) também criticaram o novo valor do salário mínimo. Candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, o senador Marcelo Crivella (PL), também da base aliada, foi outro que avisou que não está ''nem um pouco satisfeito com o salário mínimo''. ''Tivemos vários discursos da base do governo contra o mínimo e nenhum a favor. Isso me deixa profundamente preocupado. Algo está errado nisso'', reagiu o senador Heráclito Fortes (PFL-PI).
Apesar da rebelião dos aliados, o líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), está confiante na aprovação do mínimo de R$ 260. ''A chiadeira faz parte do jogo da oposição e do descontentamento da base. É o sentimento deste momento. Mas daqui a pouco estará superado e vai prevalecer a responsabilidade com o País'', afirmou o líder, ao garantir que o governo tem votos suficientes para aprovar a medida provisória. ''A realidade é cristalina. Estamos dando um reajuste acima da inflação. É uma recuperação mesmo que pequena'', observou Luizinho.


