Curitiba - Sem condições de reduzir judicialmente o índice de reajuste de 15,3% nas tarifas do pedágio proposto pelas concessionárias, o governo do Paraná pretende pressionar as empresas a desistir da majoração da tarifa. Segundo o assessor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) irá notificar as concessionárias amanhã, declarando que considera ''inoportuno'' um reajuste neste momento.
Pelo contrato firmado entre governo e concessionárias, na gestão Jaime Lerner (PSB), estas podem reajustar suas tarifas todo dia 1º de dezembro, com base em índices econômicos publicados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ao DER cabe apenas concordar ou refutar os índices publicados pela fundação, no prazo máximo de cinco dias úteis, que vence amanhã.
Mesmo sem poder questionar os índices da FGV, o governo não pretende autorizar o reajuste das concessionárias a partir do dia 1º de dezembro. O resultado de auditoria realizada pelo governo, e que oportunamente também será enviado às concessionárias amanhã, pode evitar o reajuste das tarifas. ''Aquelas empresas que tiverem irregularidades contábeis insanáveis terão que responder por elas, até mesmo baixando as tarifas, para não terem um lucro que não está previsto em contrato'', explicou Xavier.
O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, prefere não comentar os resultados da auditoria antes de ser notificado pelo governo. Segundo ele, as concessionárias irão lutar para manter o reajuste previsto no contrato.
O presidente da ABCR citou um estudo realizado pelo economista Belmiro Valverde encomendado pela Federação dos Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar), que aponta que o impacto do reajuste do pedágio sobre as transportadoras seria pequeno. Anteontem, o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas (Setcepar), Rui Cichella, disse à Folha que o novo reajuste vai representar um acréscimo de pelo menos 5% no custo dos fretes. ''Pelos dados do estudo, um reajuste de 15,3% na tarifa significaria um aumento médio de apenas 0,6% no preço do frete que é praticado no Paraná. O estudo mostra que, atualmente, as tarifas respondem na média por apenas 3,6% do valor do frete'', rebateu Chiminazzo.
O estudo no qual se baseia a ABCR aponta também que as transportadoras foram beneficiadas com o pedágio. ''O Anel de Integração deu um lucro de 6% para quem transporta cargas, isso já descontado o pagamentos das tarifas. Rodovias boas também significam menos prejuízo para as transportadoras. O estudo mostra que o prejuízo operacional do transporte poderia ser de 38% sem a melhoria das condições de tráfego'', apontou Chiminazzo Neto.
Para o presidente do Fetranspar, Luís Anselmo Trombino, as rodovias pedagiadas diminuíram o prejuízo com a frota. ''Boas rodovias reduzem em até 25% o custo com a manutenção dos veículos. Não somos contra o pedágio. Mas acreditamos que uma redução factível nas tarifas seria bem vinda. Agora, o valor dessa redução deve ser discutido entre governo e concessionárias'', disse Trombino.

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