Enquanto os governadores de oposição garantem que vão a Brasília pressionar o governo, a equipe econômica tentará nesta semana convencer a missão do FMI de que será possível garantir o esforço fiscal dos Estados e municípios previsto no acordo que possibilitou o socorro financeiro de US$ 41,5 bilhões. ‘‘Estamos discutindo como manter o resultado primário nos Estados também’’, disse ontem o secretário de Política Monetária do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, em um intervalo da reunião de técnicos da equipe econômica com os integrantes da missão do FMI que analisam as contas do País.
No acordo original com o FMI, o governo se comprometeu a alcançar neste ano um superávit primário de 2,6% do PIB nas contas do setor público. Desse total, a União garantiria um superávit de 1,8%, as empresas estatais, 0,4% e os Estados e municípios participariam com 0,4% do PIB.
A desvalorização cambial forçou o governo a estabelecer uma meta de superávit mais audaciosa, de 3% a 3,5% do PIB. Nas reuniões com a missão do FMI, a equipe econômica está procurando demonstrar como pretende alcançar essa nova meta.
No caso da União, estudam-se cortes adicionais de despesas. As estatais poderiam contribuir com um contingenciamento maior dos investimentos. Mas o fechamento da conta passa pela parcela de esforço fiscal dos Estados e municípios, que perdeu credibilidade com a moratória de Minas Gerais.
Pelo acordo original com o FMI, o superávit primário de 0,4% dos Estados estaria garantido pelo pagamento das parcelas da dívida renegociada com a União. Para honrar seus compromissos com a União, os Estados precisariam produzir um resultado primário positivo entre 11% e 13% de suas receitas.
A rebelião dos governadores de oposição, que querem reduzir o comprometimento das receitas com o abatimento da dívida, coloca em dúvida a capacidade do governo garantir este resultado.
O vice-presidente do Citibank, William Rhodes, chega amanhã ao Brasil para uma visita programada, mas que assume importância especial no momento em que as autoridades negociam com o FMI as condições para a continuação do apoio da comunidade financeira oficial ao País.

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