Governo tenta 'blindar' Meirelles e Casseb
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Das agências 
Brasília - Por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou ontem que tanto o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, como o do Banco do Brasil (BB), Cássio Casseb, têm ''toda a confiança do governo''. ''Eles estão prestando relevantes serviços ao País. São acusações infundadas, que beiram o denuncismo, feitas por pessoas que não se conformam com a retomada do crescimento da economia, com o crescimento industrial e do PIB'', comentou Dirceu.
Na prática, o governo vai tentar esgotar, nas próximas horas, sua capacidade de articulação política para evitar o depoimento de Meirelles na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A decisão foi tomada ontem, após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que a situação de Meirelles, na sua presença, foi considerada juridicamente consistente pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
A reunião foi provocada por Meirelles com o objetivo de convencer o presidente de que sua ida ao Senado deveria ser tratada como uma questão política de governo e não como um problema pessoal do presidente do BC. Meirelles convenceu o governo de sua inocência e considera que o depoimento no Senado se aterá a questões de sua vida privada, servindo apenas aos interesses político-eleitorais da oposição, encobrindo o momento mais positivo do governo na economia.
Apesar da decisão de evitar a exposição, tanto Meirelles quanto o governo têm dúvidas sobre a viabilidade política de uma operação para evitar o depoimento do presidente do BC. Com uma base aliada ambígua, onde se misturam correntes rebeldes do PT, interesses contrariados do PMDB e um presidente do Senado distanciado de Lula, é questionável a aposta no êxito de uma articulação que possa blindar Meirelles ou qualquer outro alvo da oposição.
Quem conviveu com Meirelles nos últimos dias, pôde constatar a decepção do presidente do BC com a atuação das lideranças governistas em sua defesa, considerada muito pouco enfática. Ontem mesmo, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), exibia toda a sua dificuldade na tribuna, ao reconhecer à oposição o direito de questionar o presidente do BC.
O governo também raciocina com a avaliação de que as denúncias não vão parar, pois atribui à oposição interesse absoluto em manter o assunto em pauta até as eleições, o que, seria um longo, penoso e desgastante processo político. Por isso, tenta ganhar tempo para conferir o comportamento da mídia em relação ao assunto nos próximos dias.
Na semana passada, a revista ''IstoÉ'' trouxe reportagem denunciando que Meirelles, e o então diretor de Política Monetária do BC, Luiz Augusto Candiota, estariam sendo investigados pelo Ministério Público por sonegação fiscal, evasão de divisas e omissão fiscal. A denúncia levou ao pedido de exoneração de Candiota na última quarta-feira. Meirelles descartou que tivesse cogitado renunciar ao cargo, mas voltou a ser alvo de denúncias no final de semana passado. Além da ''IstoÉ'', que voltou a denunciar o presidente do BC, a revista ''Veja'' publicou que Meirelles teria agido de forma irregular para comprar um imóvel. Ele teria comprado uma casa com US$ 32 mil, cuja procedência não chegou a ser informada ao governo.
Em reunião realizada ontem pela manhã no Palácio do Planalto, Meirelles rebateu ponto a ponto todas as denúncias contra ele, publicadas pelas revistas ''Veja'' e ''IstoÉ''. Lula considerou ''satisfatórias e consistentes'' as explicações. Mas acredita que Meirelles deveria apresentá-las ao Congresso para acabar de uma vez por todas com o vaivém de denúncias.


