Governo tenta barrar investigação sobre ex-secretário
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Raquel Ulhôa Agência Folha De Brasília 
A subcomissão do Senado encarregada de apurar o suposto envolvimento do ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge com o desvio de dinheiro público será instalada hoje, sem poderes de investigação e com a missão de tentar impedir a instalação de uma CPI sobre o caso. A CPI do Judiciário constatou que foram desviados R$ 169 milhões destinados à obra superfaturada e inacabada do Fórum Trabalhista de São Paulo.
O presidente da subcomissão deverá ser eleito às 10 horas, em reunião extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os governistas querem que o depoimento de Eduardo Jorge seja marcado para, no máximo, quinta-feira. A subcomissão depende da boa vontade do ex-assessor do presidente Fernando Henrique Cardoso, já que não tem poder para convocá-lo e sim de convidá-lo.
Ele pode recusar, mas se não vier estará abrindo uma porta para a instalação de uma CPI no dia seguinte. Será pior para ele, afirmou o presidente da CCJ, José Agripino (PFL-RN).
O líder do PSDB, Sérgio Machado (CE), manifestou ontem certeza de que Eduardo Jorge aceitará o convite e dará respostas satisfatórias, suficientes para barrar a iniciativa da oposição de instalar uma CPI para apurar o envolvimento do governo no escândalo. Convidado, ele virá e terá respostas para esclarecer tudo. O governo não tem receio de nada, disse Machado.
A subcomissão não terá poderes de quebrar sigilos fiscais, bancários ou telefônicos. Poderá fazer novas convocações, inclusive de ministros, e terá acesso a todas as informações colhidas pela CPI do Judiciário.


