Governo tenta barrar CPI da Corrupção
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Carmen Kozak Agência Estado De Brasília 
O Palácio do Planalto e os líderes governistas no Congresso estão convencidos de que o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), está se preparando para defender a instalação de uma CPI da Corrupção. A CPI, segundo interlocutores do senador, é o troco que ACM quer dar à derrota imposta pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na briga pelo salário mínimo.
Mal refeitos do desgastante embate do mínimo, os governistas já estão trabalhando para esvaziar essa nova investida do líder baiano e já discutem a possibilidade de não haver retaliações explícitas aos infiéis da base governista. Os dirigentes do PMDB, de grupos do PSDB e de setores do PFL que se opõem às manobras de ACM informaram a Fernando Henrique que há riscos de a base governista aderir à proposta da CPI para revidar a pressão do governo pela aprovação do mínimo de R$ 151.
A base está muito ressentida e, se houver retaliação, revidará na primeira oportunidade, disse um dirigente pefelista ao presidente Fernando Henrique Cardoso, numa conversa por telefone, na quinta-feira. A constatação de que ACM está determinado a brigar pela CPI da Corrupção foi o resultado de uma conversa entre o
vice-presidente Marco Maciel, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), no final da tarde de quinta-feira.
O discurso de combate à corrupção não é contra o Jader Barbalho (presidente nacional do PMDB), não vai demorar para que ACM defenda a CPI da Corrupção, disse Inocêncio. Os três dirigentes pefelistas avaliaram que o alvo do senador baiano não é o PMDB, mas o próprio governo. Nessa estratégia, acreditam os pefelistas, o presidente do Senado contaria com o apoio de lideranças dos partidos de oposição, com quem continua mantendo conversas.
O resultado dessa reunião de avaliação do comando do PFL foi passado para Fernando Henrique por um dos presentes, que recomendou recuo na intenção de retaliação O momento ainda é muito delicado, é hora de unir a base para não corrermos riscos, qualquer demissão, agora, pode ser como faísca em barril de pólvora, disse o interlocutor pefelista.
Percebendo a situação, o núcleo de articulação política do governo destacou apaziguadores para atuarem, principalmente, junto aos senadores Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho. Querem desarmar os ânimos na origem do problema, a guerra de dossiês alardeada por um e por outro. Os bombeiros têm argumentado que são protagonistas da briga que têm mais a perder com essa troca de acusações.
Interessa ao PMDB ficar alimentando essa disputa e correr o risco de ficar com a pecha de que é presidido por um corrupto?, sustentou um dirigente pefelista numa conversa com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Se essa guerra contra a corrupção atingir a imagem do governo estará também atingindo a imagem do PFL, sustentou outro pefelista a ACM. O líder baiano, que já disse que o combate à corrupção é a sua bandeira, respondeu secamente: Contra mim, não vão encontrar nada.


