O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, assumiu ontem a responsabilidade pelas declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso, no sábado, sobre um possível envolvimento do Movimento dos Sem-Terra com plantadores de maconha do Nordeste. ‘‘Foi uma hipótese criada por mim, na área de inteligência, nas conversas com o presidente da República’’, afirmou o general. ‘‘O governo não tem qualquer informação sobre este envolvimento e esta é uma hipótese muitíssimo pouco provável, bastante remota.’’
‘‘O presidente não acusou (o MST), de boa-fé ninguém pode verificar ali qualquer acusação’’, argumentou. ‘‘Foi uma demonstração de um desejo de que não viesse esse movimento social, original, o MST, a se macular com esse problema do plantio da maconha, cooperando com essas pessoas, distribuindo produto de saque.’’
Foi o próprio FHC quem tocou no assunto na entrevista coletiva do sábado ao responder a uma pergunta genérica, de um jornalista estrangeiro, sobre a reforma agrária na Brasil. ‘‘No momento em que o MST passa a cooperar na zona da maconha, aí complica, isso descaracteriza’’, disse o presidente.
O general Cardoso é responsável pela área de inteligência do governo e também pela nova secretaria nacional anti-drogas. Ele afirmou ontem que as pessoas da área de inteligência trabalham com diferentes hipóteses, projetando informações existentes hoje para o futuro e comparando a evolução em outros países. ‘‘Uma hipótese é que o movimento social nosso, que infelizmente está se politizando, pudesse vir a seguir os rumos de outros movimentos da América Latina que acabaram se envolvendo com o narcotráfico’’, ponderou.
Em nota distribuída ontem, a liderança do MST repudiou as ‘‘insinuações mentirosas’’ feitas pelo presidente e conclamou a população a se mobilizar contra o governo. ‘‘Ele é o verdadeiro responsável pelo aumento do desemprego, da pobreza e dos problemas sociais do nosso País’’, diz um trecho da nota. O MST está organizando um movimento de protesto para o próximo dia 7 que denominou de Grito dos Excluídos.
Na nota, o MST lembra que Fernando Henrique já chamou ‘‘o povo brasileiro de caipira, os aposentados de vagabundos e, agora insinua que os sem-terra têm ligação com o tráfico da maconha’’. ‘‘Já tivemos um presidente que preferia o cheiro de cavalo ao povo. Pelo jeito esse presidente fez escola’’, diz a nota, numa referência a declarações do ex-presidente do governo militar, general João Figueiredo.

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