Governo tenta acordo com oposição
O governo vai tentar um acordo com a oposição, numa última cartada para concluir a reforma da Previdência antes das eleições. Ateontem, a oposição conseguiu, com a ajuda das bancadas ligada a Paulo Maluf (PPB) e dos evangélicos, derrubar o redutor de até 30% sobre as aposentadorias dos servidores públicos que ganham acima de R$ 1.200,00. A proposta, defendida por líderes aliados ao Palácio do Planalto, consiste em dar à oposição a vitória sobre um dos destaques que restam para ser votados e, em troca, encerrar todas as votações no dia 1º de julho, antes do recesso de julho e do início da campanha eleitoral. Os deputados ganharão folga na semana que vem para cuidar das convenções regionais para a escolha dos candidatos e das festas de São João no Nordeste.
Os líderes aliados acertaram que só haverá sessão de votação nos dias 30 e 1º. Até lá, vão tentar convencer a oposição a fazer um acordo para suprimir os prazos regimentais exigidos para a votação da redação final da reforma da Previdência. Normalmente, essa etapa leva de uma a duas semanas e é necessária quando a emenda constitucional sofre alterações - como ocorreu na quarta-feira à noite, com a derrota do redutor das aposentadorias do funcionalismo.
Em troca, o governo concordaria em retirar do texto da reforma uma expressão que limita as aposentadorias especiais exclusivamente a condições especiais de saúde. Se conseguirem a concordância dos partidos de esquerda, os líderes argumentam que poderão levar à sociedade a vitória do governo na conclusão da reforma previdenciária.
Mas o governo terá, antes, de unificar a linguagem entre seus próprios aliados. Deve começar pelo líder do PMDB, Geddel Veira Lima (BA), que defende a suspensão dos debates da reforma da Previdência até depois das eleições. Para mim, acabou a discussão da reforma da Previdência e não acho mais viável votar essa matéria antes das eleições, afirmou ontem. Se a oposição saiu vitoriosa, paciência, emendou.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou a derrota imposta ao governo pelos próprios aliados, que não deram número suficiente para manter o redutor para os servidores públicos e os juízes no texto da reforma, embora estivessem em Brasília. Foi um erro em relação ao País, afirmou Antônio Carlos. Ele ressaltou que, numa última análise, foi melhor garantir aposentadoria integral para todos os servidores públicos do que apenas para os magistrados. Às vezes as coisas são certas: se iam dar privilégio só para os magistrados, é melhor que dê para todos. (AE)





