Os governistas têm pronta uma estratégia para reverter o clima inicial de derrota provocado pelo fracassado esforço de instalar a comissão especial da reforma da Previdência logo na primeira semana da convocação extraordinária do Congresso. Quando a comissão começar a funcionar, na terça-feira, os líderes aliados prometem acionar o rolo-compressor do governo. O Palácio do Planalto contabiliza nada menos do que 22 dos 31 votos a favor na comissão especial da reforma.
Apesar de ter perdido cinco dos 29 dias úteis da convocação extraordinária, o vice-líder do governo no Congresso, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que será eleito relator na terça-feira, garante ser possível manter o calendário sonhado pelo governo: votar o primeiro turno da emenda da Previdência no plenário da Câmara em 11 de fevereiro. ‘‘Insistimos para instalar a comissão na sexta-feira, mas aceitamos as ponderações do presidente (da Câmara) Michel Temer (PMDB-SP)’’, contou Madeira. ‘‘Ainda teremos uma folga de duas sessões para votar no dia 11.’’
Mesmo na comissão, onde os líderes do PMDB, PFL e PSDB tiveram o cuidado de ‘‘escolher a dedo’’ os representantes, aparecem sinais de racha na base governista. A contabilidade do Planalto pode encolher dois votos. Ninguém contesta a fidelidade dos seis tucanos e seis pefelistas indicados para compor o colegiado, mas um dos seis peemedebistas não é computado como voto seguro do governo. O voto duvidoso do PMDB, na avaliação do próprio Planalto, é o do deputado Ronaldo Perim (MG).Djalma de Almeida César, do PFL, é o único representante do Paraná a integrar a comissão.
O líder do PPB, deputado Odelmo Leão (MG), deixou clara a divisão do partido nas indicações que apresentou à Mesa Diretora da Câmara. As cinco vagas do PPB serão ocupadas pelos deputados Mário Cavallazzi (SC) e Roberto Campos (RJ), com os quais conta o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). Os governistas também têm esperanças de contar com o apoio de Gerson Peres (PPB-PA), mas não dão o voto dele como certo. Certeza mesmo é a de que os pepebistas Arnaldo Faria de Sá (SP) e Jair Soares (RS) vão engrossar a gritaria da oposição contra o governo.
Subtraídas as duas dúvidas no PPB e PMDB, ainda restam ao governo na comissão 20 votos. Conta folgada para quem só vai precisar do apoio de 16 governistas. Mesmo assim, o governo está empenhado em melhorar a performance do PPB. Leão mostrou simpatia à promessa do colega Magalhães para facilitar a articulação do governo.
Para a fatia do PPB que se recusa a aceitar a contribuição dos inativos à Previdência, criada pelos senadores, Magalhães acenou com um projeto do governo estabelecendo a validade da tributação dos inativos só para os futuros aposentados, livrando os atuais. Em jogo, a credibilidade do governo, uma vez que o projeto só virá depois de promulgada a emenda constitucional. ‘‘O PPB tem uma posição política contra a tributação dos aposentados desde que o Congresso começou a discutir a reforma da Previdência, há dois anos e meio’’, afirmou Leão.
O governo vai trabalhar para aprovar sem nenhuma modificação o texto que veio do Senado. O Executivo quer fazê-lo o mais rápido possível e com a maior folga de votos, para dar uma demonstração de força e facilitar a votação no plenário, que todos admitem ser difícil. Madeira diz que vai receber as sugestões de todos e as examiná com cuidado, mas o líder do partido dele, Aécio Neves (MG), adiantou que o relatório está pronto: é só copiar o texto dos senadores com o objetivo de evitar a volta da proposta ao Senado para mais dois turnos de votação.

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