Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), garantiu ontem que o projeto de lei que dobra o salário dos secretários de Estado não vai ser votado enquanto o próprio governo não encaminhar um novo projeto (de autoria completa do Executivo ou não) que modifique o texto original e retire dos ''ombros'' dos parlamentares o ''peso'' do desgaste político. ''O desgaste deste aumento dos secretários, que dobra os salários de cada um deles, não pode ser dos deputados. Por que temos que ficar com este ônus?'', questionou.
Brandão cobrou ontem do governo do Estado modificações da proposta de reajuste dos secretários e está otimista. ''Da forma como está na Assembléia Legislativa, o projeto é inconstitucional. Deixa a possibilidade de o Estado dar aumentos e reajustes para os secretários de até 100% em cima do que for aprovado. Se passasse, qualquer deputado poderia entrar com uma ação de inconstitucionalidade direta para anular o projeto'', ponderou. Ontem, ele mesmo esteve reunido com o secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana.
A proposta original de reajuste dos secretários altera os salários de R$ 5,9 mil brutos para R$ 11,9 mil, o que geraria um impacto de R$ 162 mil por mês na folha. Deste valor, R$ 7 mil se referem ao salário do secretário e outros R$ 4 mil são a título de gratificação. O líder do governo Natálio Stica (PT) disse que não faz diferença se o projeto é do Poder Executivo ou do Poder Legislativo.
O governo do Estado nega a possibilidade de encaminhar uma mensagem ao Poder Legislativo. O diretor-geral da Casa Civil, Rogério Carboni, disse que essa é uma atribuição dos parlamentares prevista no artigo 28 da Constituição Federal e que diz que ''os subsídios do governador, do vice-governador e dos secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa''. Caíto Quintana defende que o projeto seja votado da forma como está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois receba emendas fixando valores definitivos.

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