Curitiba - O governo do Paraná trabalha hoje com o caixa oficialmente apertado. A equipe do governador Roberto Requião (PMDB) tem disponíveis, por mês, R$ 27 milhões para investimentos. Essa é a capacidade de investimento total para todas as áreas do Estado, de acordo com o secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana. Fora os recursos para a manutenção da máquina administrativa, valores não revelados pelo secretário.
Quintana afirma que os R$ 27 milhões são insuficientes. De forma geral, calculou o secretário, esse valor cobriria as despesas apenas da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, pasta que trata de projetos e obras nos 399 municípios, por exemplo. ''O governo está tentando se reorganizar financeiramente'', disse o secretário. Para contornar a escassez, segundo Quintana, o governo faz uma ginástica financeira. Promessas de repasses feitas a prefeitos pela administração anterior que não têm a correspondente previsão em caixa foram paralisadas.
''Alguns prefeitos têm a receber parcelas de obras que são discutíveis, tanto do ponto de vista legal quanto de necessidade da obra'', afirmou Quintana. Logo que assumiu, o governador cancelou cerca de R$ 80 milhões em restos a pagar.
O governo está fazendo, desde o início do ano, um mapeamento minucioso das obras e projetos que são prioridade. A moratória (suspensão de pagamentos) de 90 dias contribuiu para dar uma noção mais exata de quais eram os comprometimentos do Estado. ''Uma das razões do decreto da moratória foi rever convênios e prioridades'', explicou o secretário. Ele lembrou que já foram rompidos contratos no valor total de R$ 200 milhões nestes cinco primeiros meses.
Na lista de prioridades do governo estão as áreas de sa© úde, educação, segurança e agricultura. Quintana lembra que o orçamento deste ano foi costurado no ano passado pela gestão Jaime Lerner (PFL), para valer para o sucessor. Por isso, durante todo este ano o governo tem que balizar seus gastos e investimentos pelo orçamento feito pelo antecessor.

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