Curitiba - Enquanto os órgãos de controle tropeçam nas auditorias externas, o governo do Paraná segue articulando direto com as concessionárias a antecipação de obras nas rodovias pedagiadas. A FOLHA teve acesso à lista de 18 itens atualmente colocados na mesa de negociação, onde constam 670,6 km de duplicação de pistas e contornos rodoviários.
Nos primeiros dois anos da sua gestão, Beto conseguiu liberar junto aos grupos econômicos que controlam as rodovias pedagiadas R$ 254 milhões em investimentos (quatro itens da lista), já previstos nos contratos dessas empresas com o governo do Paraná. Esse é o valor total correspondente aos contornos de Mandaguari, Apucarana Sul, Campo Largo e à duplicação da BR-277 entre Medianeira e Matelândia, no Oeste. A extensão desses empreendimentos é de 51,8 km.
A questão é que esse investimento, cumprido dentro do cronograma dos contratos, representa apenas 7,7% do total de obras previstas para serem realizadas até novembro de 2021, quando teoricamente acabam as obrigações entre as partes. Se seguir nesse ritmo, conforme apurado pela FOLHA, apenas outras duas grandes obras seriam realizadas nos próximos dois anos: a duplicação da PR-151 entre Piraí do Sul e Jaguariaíva (40,6 km) e a duplicação do trecho entre Floresta e Peabiru (52,5 km), ambas agendadas para serem feitas até dezembro de 2015.
Diante desse cenário, Beto Richa está utilizando a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (Seil), o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e a recém-criada Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar) para ''inverter'' o plano de obras já negociado com as concessionárias. É isso que o Governo estaria tratando com as empresas de pedágio da duplicação de todo o Anel de Integração.
O plano envolve justamente a Rodonorte, que teria de 2015 a 2021 para duplicar os 222,8 km existentes entre Apucarana e Ponta Grossa. Essa obra sozinha representa 33% de todo o plano de investimentos prometido pelo conjunto de concessionárias ao governo do Paraná. A intenção do Palácio Iguaçu é dar início a essas obras em 2013. A PR-508, entre Alexandra e Matinhos, no litoral, seguiria a mesma lógica. A terceira pista estaria operando até 2014 e a duplicação seria concluída em 2015.
Só que a medida requer um aumento na tarifa, superior aos índices concedidos nos anos anteriores (4,53% em 2011 e 4,69% em 2012). Uma opção trabalhada no seio do governo é a criação de ''corredores'' no interior do Paraná, que conduziriam tráfego extra para dentro das rodovias pedagiadas. Dessa forma, os aumentos nas tarifas poderiam ser menores.
É esse o raciocínio que justifica, por exemplo, a expansão da PR-092, que hoje termina em Jaguariaíva, até uma conexão com o Estado de São Paulo. A Estrada da Boiadeira e o trecho federal entre Ventania e Tibagi, incluído nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cumpririam a mesma função. Na órbita do Palácio Iguaçu, sabe-se que apesar da negociação avançada com algumas concessionárias, essa ''inversão de prioridades'' ainda não foi 100% concluída.
Enquanto os órgãos de controle seguem ''emperrados'', o Governo direciona o investimento direto de recursos do Estado em estradas secundárias, como os R$ 840 milhões anunciados para o Programa Estadual de Recuperação de Rodovias. (J.L.J.)

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