Brasília- Não são apenas os parlamentares que acumulam benefícios e jetons, isto também ocorre no Poder Executivo. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, além do salário de presidente (R$ 8 mil), uma aposentadoria de R$ 2,5 mil decorrente de sanções que ele sofreu durante a ditadura militar. Um de seus assessores mais próximos, o secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, ganha R$ 990 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como bancário aposentado e mais uma aposentadoria de R$ 3,5 mil por seus três mandatos como deputado.
Pelo menos cinco ministros ocupam assentos em conselhos de administração de empresas estatais, o que pode render vencimentos a mais. A ministra Dilma Rousseff (Minas e Energia), é presidente dos conselhos da Petrobrás e Eletrobrás, com uma remuneração de R$ 4,4 mil. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, participa do conselho da Petrobrás, com salário de R$ 2,8 mil. Os ministros Luiz Furlan (Desenvolvimento), José Viegas (Defesa) e Guido Mantega (Planejamento) também participam de conselhos. Furlan tem direito a R$ 2,8 mil mensais para presidir o conselho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Viegas a R$ 1,2 mil para participar do conselho da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) e Mantega tem assento no conselho do BNDES.
Desistência - Constrangido com a repercussão negativa da divulgação desses benefícios, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, abriu mão de sua participação nos conselhos da Petrobrás e da Hidrelétrica de Itaipu, o que lhe renderia remuneração extra de R$ 10,6 mil. O salário dos conselheiros de Itaipu equivale a 40% dos vencimentos dos diretores da empresa, enquanto nas demais estatais este porcentual é de 10%, limite fixado por lei. Itaipu está fora da restrição porque é uma empresa binacional, controlada pelo Brasil e pelo Paraguai.

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