Governo suspende sorteios do Totobola
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terça-feira, 20 de abril de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar), Mário Lobo, anunciou ontem a suspensão dos sorteios do telebingo Totobola após ser notificado pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, de que a loteria estaria sendo fraudada. A máquina realizada para a extração das bolas premiadas do telebingo foi apreendida por policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) e passou por uma perícia na tarde de ontem. O resultado da perícia não foi divulgado até o início da noite.
A denúncia de fraudes no Totobola foi feita ao Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul por um dos ex-sócios da loteria, o argentino Carlos Rodolfo Zicavo. Segundo Zicavo, várias irregularidades eram cometidas pela empresa, atualmente administrada pelo empresário argentino Mário Charles. No depoimento, Zicavo acusa Charles de ter retido até R$ 2 milhões que deveriam ser destinados para premiação desde 1997, quando o Totobola se instalou no Brasil.
Zicavo afirmou ter documentos que comprovam uma sonegação fiscal de até R$ 6,5 milhões decorrentes da falta de fiscalização das autoridades brasileiras sobre a empresa. Segundo ele, apesar da lei prever que 65% da arrecadação com a venda de cartelas ser obrigatoriamente destinada a premiação, pouco mais de 25% eram repassados aos vencedores. O ex-sócio do telebingo afirmou também que um programa de software permitia que as bolinhas sorteadas fossem escolhidas antecipadamente. Um outro esquema fraudulento aproveitava-se do fato de que apesar do sorteio ser gravado na manhã dos domingos, ele era apenas veiculado à tarde. Nesse meio tempo, as cartelas eram compradas junto as lotéricas, apesar do prazo para a venda legal dos bilhetes encerrar-se no sábado.
Segundo o delegado do Nurce, Miguel Stadler, uma análise preliminar da máquina de sorteio revelou que havia a possibilidade do sistema ser fraudado. ''Porém, isso só o laudo completo poderá afirmar com certeza. Nesse meio tempo, recomenda-se que os usuários guardem suas cartelas para eventuais ressarcimentos de prejuízos'', afirmou Stadler.
O Nurce irá agora ouvir os funcionários da Totobola e da empresa responsável por realizar auditorias no sistema, a Audiacto Auditores Independentes. ''As investigações podem resultar em quebras de sigilo bancário e outras providências. Vamos estabelecer uma parceria com as autoridades gaúchas, que receberam a denúncia, para trocar informações'', explicou Stadler. A Folha tentou entrar em contato com o responsável pelas auditorias do sistema, Jucemar Nunes, mas seu celular esteve desligado durante toda a tarde de ontem.


