Governo suspende cestas básicas para o Nordeste
O governo decidiu suspender o fornecimento de cestas básicas para as famílias atingidas pela seca no Nordeste com o objetivo de evitar o uso político dos alimentos no dia das eleições. As 300 mil cestas que seriam distribuidas em pouco mais de mil cidades só serão entregues depois de domingo.
Há duas semanas, o governo colocou o Exército na distribuição de água na região por causa desse mesmo problema. Das 120 denúncias sobre o uso eleitoral dos benefícios recebidas nos últimos meses, pelo menos 50 foram confirmadas pelo Ministério Público Federal (MPF).
O governo, por meio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), armou um grande esquema para evitar o uso político das cestas básicas e da água. A primeira providência foi convocar o Exército, que colocou 1.060 caminhões-pipa em 600 municípios carentes do Nordeste, onde não há água e onde poderiam haver infiltrações políticas e eleitoreiras. Coube ao próprio chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Alberto Cardoso, verificar a situação em algumas cidades, principalmente da Paraíba.
Mas vem do Piauí a maior parte das denúncias recebidas pela Sudene, por intermédio de um telefone gratuito. A maioria são contra o governador do Estado, Francisco Assis de Souza (PMDB), o Mão Santa. O Ministério Público instaurou inquéritos para apurar o uso das cestas básicas na campanha eleitoral. Além disso, 60 carros do Banco do Nordeste conduzem o Projeto Asa Branca, informando, quase na mesma hora, o que ocorre pelo interior do Nordeste.
No início da semana, o superintendente da Sudene, Sérgio Machado, enviou um ofício a todos os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do Nordeste, avisando que a distruição das cestas básicas, prevista para acontecer em algumas cidades no domingo, estava suspensa. Com isso, os TREs poderão convocar a Polícia Federal (PF) para fiscalizar o cumprimento da medida. (AE)





