Governo sugere cortes de R$ 8 bi no orçamento
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Lu Aiko Otta, Adriana Fernandes, Fabio Graner e Célia Froufe Agência Estado 
Brasília - O governo vai sugerir ao Congresso Nacional um conjunto de R$ 8 bilhões em projetos e obras a serem cortados no Orçamento de 2011 para ajustar as contas à nova estimativa de receitas, que ficou menor A lista será entregue à Comissão Mista de Orçamento na segunda-feira, segundo informou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo Quinze técnicos trabalharão no fim de semana para concluir a proposta
Pressionada por todos os lados para aumentar as despesas, a área econômica vem propagando a necessidade de cortar despesas previstas para o ano que vem É uma tentativa de frear a aprovação de novos gastos pelo Congresso, como o aumento do salário mínimo para além dos R$ 540 propostos e o reajuste para o Judiciário Os parlamentares queriam incluir no Orçamento de 2011 até mesmo as receitas de concessão do pré-sal, que não se sabe quando ocorrerão, para acomodar mais gastos
Na terça-feira, numa coreografia bem ensaiada, Bernardo foi ao Congresso dizer que a arrecadação bruta de 2011 foi recalculada e ficou menor, daí a necessidade do corte de R$ 8 bilhões O ministro deu essa notícia aos parlamentares após reunir-se com o vice-presidente eleito, Michel Temer, e obter apoio político
A arrecadação de 2010, de fato, tem ficado menor do que o previsto principalmente por causa do fraco desempenho do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) É possível que essa tendência se mantenha em 2011
A despeito da possível queda de receitas, a equipe econômica tem o desafio de manter os investimentos, cumprindo orientação de Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente eleita, Dilma Rousseff
Nesse quadro, há pouco espaço para acomodar novas despesas consideradas não prioritárias pelo governo, como o aumento do mínimo Bernardo disse que haverá diálogo com as centrais sindicais sobre o assunto, mas o governo, com aval de Dilma, vai defender que seja aplicado o mesmo critério que vem sendo utilizado desde 2006: correção pela inflação do ano anterior, mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás Isso resulta num mínimo de R$ 540 para 2011
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o corte se dará nos gastos já existentes e também evitando-se novas despesas


