Governo só discute mínimo em abril
Das Agências
De Brasília
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, disse ontem que o governo só tratará do reajuste do salário mínimo na segunda quinzena de abril. Sobre o fato de o Congresso Nacional, mais uma vez, ter tomado à frente do governo nessa matéria, disse: Esse problema tem sempre três lados, o seu, o meu e o certo. Na sua avaliação, o governo não deve antecipar o debate. A questão do salário mínimo será tratada na hora certa.
Dornelles enfatizou que o salário mínimo tem hoje peso reduzido no mercado formal. De acordo com o ministro, de quase 20 milhões de trabalhadores na iniciativa privada apenas 1,8 milhão recebem o salário mínimo. No setor público, de cerca de 7 milhões de trabalhadores, 1,2 milhões de servidores lotados nos estados do Norte e Nordeste recebem o mínimo.
Ele disse que o deputado Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) agiu corretamente ao colocar o assunto em evidência. Ele atuou com competência, pegando a bandeira que era do Paulo Paim, do PT, e levando-a para a Força Sindical, declarou.
Preocupado com a repercussão gerada pela proposta do PFL, o ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, convocou uma coletiva para esclarecer a posição do seu partido. De acordo com Ornélas, a sugestão de equiparar o salário mínimo a US$ 100 não é uma proposta do partido, mas uma sugestão para estudo de um de seus integrantes, que ainda será devidamente avaliada.
Para o ministro da Previdência Social, o Congresso poderia ajudar o governo a dar um reajuste maior para o mínimo se aprovasse, rapidamente, a emenda constitucional que institui a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos da União. Isso desafogaria o Tesouro, lembrou. Ornélas se negou a fazer qualquer projeção de aumento de despesa por conta do reajuste do salário mínimo. Mas, com base nos números da Previdência Social, a conta pelo lado da despesa é simples. Dos 18,8 milhões de aposentados, cerca de 12,5 milhões recebem o salário mínimo.
A reação negativa do governo e até de um ministro pefelista fez parte do PFL tentar negar ontem que seja do partido a proposta de elevar o salário mínimo para o equivalente a US$ 100. O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), assinou uma nota de esclarecimento, temendo que a divulgação da campanha fosse entendida pelo mercado financeiro como um rompimento do partido com o governo. A nota foi enviada a FHC no início da manhã e lida no plenário da Câmara pelo líder do partido, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), antes da abertura das Bolsas de Valores.
Na nota, Bornhausen afirma que o partido não vai abrir mão da sua permanente luta pela austeridade. O presidente do PFL afirmou também que a sugestão definitiva sobre o valor do salário mínimo será apresentada após o estudo da comissão formada pela executiva do partido para tratar do assunto. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que concorda com o aumento do salário mínimo para o equivalente em reais a US$ 100, mas negou que a proposta seja uma campanha do seu partido.





