Curitiba - A Promotoria de Investigação Criminal (PIC) em Curitiba, órgão vinculado ao Ministério Público (MP) do Paraná, tem até o dia 31 de dezembro para sair do imóvel onde está instalada, no bairro Ahú. A determinação partiu do governo do Estado no dia 9 de novembro. Na última segunda-feira a PIC também recebeu um ofício da Polícia Militar (PM) no qual era solicitada a apresentação junto à PM dos sete policiais militares que atuavam no órgão. A assessoria de imprensa do governo do Estado afirmou que não ocorrerão mudanças nas promotorias de investigação criminal de Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel.
A PIC está à frente de uma investigação sobre um esquema ilegal de interceptações telefônicas supostamente comandado pelo policial civil Délcio Rasera, que desde 2003 está cedido ao Palácio Iguaçu. Rasera foi denunciado pelo MP - junto com outras 19 pessoas - e está preso desde o dia 5 de setembro, quando ocorreu a primeira ação da PIC com o objetivo de desarticular o esquema. Um outro denunciado é João Formighieri, à frente da Imprensa Oficial, órgão ligado ao Estado.
Questionado sobre se o ''caso Rasera'' poderia ter ligação com as determinações do Executivo, o coordenador da PIC, Paulo Kessler, foi inicialmente cauteloso e afirmou que ''como promotor'' não poderia fazer ''conjecturas sobre a intenção de qualquer governante''. ''Quem tem que fazer qualquer avaliação á a opinião pública. Eles disseram que pretendem colocar alguns departamentos de secretarias aqui. Porque o novo prédio que foi construído para abrigar as secretarias não teria espaço suficiente'', disse ele.
Em outro momento, porém, o coordenador admitiu que as mudanças na PIC poderiam ser ''uma espécie de pressão'' e defendeu autonomia na estrutura do MP. ''Não podemos permitir criar estruturas que nos colocarão à mercê de sujeitos que têm cargos eletivos, interesses políticos'', disse Kessler. Anteontem ele foi chamado pelo procurador-geral do MP para ''relatar os detalhes'' das determinações do Executivo e que há um consenso ''no sentido de melhorar as estruturas das promotorias'' para evitar qualquer dependência em relação ao Executivo.
A assessoria de imprensa do governo do Estado não informou quais seriam as justificativas das mudanças, mas confirmou as determinações. Fonte do Palácio Iguaçu, porém, afirmou que a PIC estaria ''acumulando problemas'' e que o órgão teria saído das suas funções (controle externo das atividades de policiais civis e militares, além de combate ao crime organizado) durante o recente período eleitoral. A fonte argumenta que durante as investigações da PIC no caso Rasera, antes do pleito de 1º de outubro, o órgão teria distribuído material sigiloso à imprensa e à oposição. A assessoria jurídica do então candidato Roberto Requião (PMDB), que conseguiu se reeleger, chegou a questionar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a divulgação de algumas peças da investigação.
Kessler explicou que os policiais militares saíram anteontem da PIC e que o MP já está procurando um novo imóvel para alugar. A atual sede, que já foi residência oficial do ex-governador Alvaro Dias, foi cedida à PIC pelo Executivo em 2001, no governo Jaime Lerner. Hoje abriga cerca de 20 funcionários.

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