Governo Requião queria cobrar pedágio
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sábado, 11 de julho de 1998
Leandro Donatti 
Os aliados do governador Jaime Lerner (PFL) já encontraram uma forma de rebater em seus palanques um dos principais motes da campanha do candidato do PMDB, senador Roberto Requião, contra o pedágio implantado pelo governo. Crítico voraz da cobrança, vigente nas rodovias que compõem o Anel de Integração desde maio passado, o governo Requião chegou a avaliar a possibilidade de recuperar as estradas estaduais usando métodos similares, em 92. Com base num estudo, encomendado pelo então secretário dos Transportes, ex-governador Mário Pereira (PMDB), a técnicos da área, os lerneristas pretendem frear o discurso afiado do senador, o maior adversário do governador nas urnas.
O plano elaborado pela Secretaria dos Transportes na segunda metade do governo Requião foi batizado de Programa de pedágio e abrangia 1.247 quilômetros, em 15 rodovias estaduais. A sondagem inicial englobava 10 mil quilômetros, mas foi dada preferência às rodovias com viabilidade econômica. O projeto teve parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado. A cobrança de pedágio é constitucionalmente permitida, que sob a forma do tributo taxa, quer sob a forma de preço público, diz o documento assinado em 4 de agosto pelo procurador Joe Tennyson Velo e endossado pela procuradora geral do Estado em exercício, Maria Marta Lunardon.
Consta ainda no parecer que se o governo optasse pelo pedágio-preço público, como o implantado pelo governo Lerner, não precisaria oferecer rodovias alternativas aos usuários. E que a cobrança poderia ainda ser feita pelo governo ou por particulares, desde que realizado contrato de concessão ou de permissão para a execução dos serviços públicos. O endosso da Procuradoria embasou um anteprojeto de lei, que diante a desistência do governo em levá-lo adiante, não foi a plenário para a análise dos deputados.
Licenciado da Assembléia para responder pela Secretaria da Justiça durante o governo Requião, José Tavares, hoje PTB, lembra das discussões acerca da implantação. A história não vingou porque não havia tempo para implantar. O governo estava pela metade e logo haveria eleição (a de 94), assinala.
Mário Pereira confirma que encomendou o estudo e diz
que a iniciativa foi única do País, na época. Queríamos fazer uma avaliação num prazo de 10 anos e levantar o custo de quanto era necessário para se recuperar cada quilômetro da malha rodoviária, observa. O governo na época via o pedágio como uma alternativa aos recursos do IPVA e do Orçamento estadual, explica. Fizemos uma coleta de dados. Não implantamos porque chegamos a conclusão de que as estradas do Paraná são integradoras e para se cobrar pedágio, deveríamos ter vias alternativas, para não sobrepôr praças de pedágio nem impedir a interação das cidades, comenta.
Pereira afirma ainda que a idéia, se colocada em prática, representaria um pedágio a preço médio de um dólar a cada 50 quilômetros percorridos; e a cobrança seria num só sentido. As praças não poderiam ser instaladas entre municípios e distritos, ressalva.
O senador Requião disse à Folha que nunca tomou conhecimento do estudo sobre implantação de pedágio, durante sua gestão. Centenas de estudos são feitos durante um governo e muita coisa nem chega às mãos do governador. O Mário (Pereira) nunca trouxe a público isso, comentou. Para Requião, cobrar pedágio no Paraná é sinônimo de asneira. Eu nunca colocaria isso em prática porque é pura burrice. Sou contra pedágio. Estudei para saber que isso é inviável. O Lerner está querendo presentear amigos empreiteiros e não sabe como justificar, reagiu.


