Governo Requião prepara eleição de 2006
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segunda-feira, 22 de novembro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O próximo ano e o início de 2006 serão decisivos para a administração Roberto Requião (PMDB). Portanto, começa o período para contabilizar perdas, reestruturar a base de aliados e desenhar a estratégia para a reeleição ou eleição de um sucessor. Por enquanto, o governador mantém a tese da reeleição, o que requer um grande cuidado com ações e declarações. Já se fala em revisão da aliança PMDB-PT, que elegeu Requião, e em reforma do secretariado.
Os aliados avaliam que é hora de dar uma ''marca'' ao governo. Adepto da opção pelos mais pobres, Requião tem a seu favor ações em benefício das famílias de baixa renda. É o caso de programas como o Luz Fraterna, o Leite das Crianças e a tarifa social da Sanepar. Apesar dos esforços, na avaliação do deputado Tadeu Veneri (PT), se o governador quiser deixar uma marca forte na área social, ainda precisará investir muito mais.
Já os adversários estão catalogando os pontos fracos que se tornarão vidraças na campanha, daqui a dois anos. Entre eles, o ''nó do pedágio'' nas palavras do próprio governador , que continua sem desatar, e a briga contra os transgênicos, que gerou atritos junto ao governo federal e ao mercado.
Na opinião de Durval Amaral (PFL), o caso do pedágio é um ''pecado capital''. ''Foi aberta mais uma praça de pedágio (na Lapa), enquanto a promessa de campanha era o contrário'', lembra Amaral.
Outro flanco que pode ser alvo de ataque é o grupo de aliados. As acomodações políticas na base de Requião deixam margem para críticas. Passaram para o lado de Requião pefelistas de carteirinha, que apoiavam o ex-governador Jaime Lerner (PSB). É o caso dos deputados estaduais Rafael Greca e Kiélse Crisóstomo, ambos agora no PMDB. O prefeito eleito de Cianorte, Edno Guimarães (PMDB), foi um dos deputados estaduais aliados de Lerner na época da tentativa de venda da Copel. E Requião, na época senador, foi um dos principais defensores da manutenção da Copel em poder do Estado do Paraná.
Um dos sinais da preocupação com a próxima eleição é a tese defendida por Requião, de maior independência do PMDB em relação ao governo federal. Isso aponta que ele deve traçar um caminho diferenciado, mais desatrelado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lhe rendeu votos na campanha de 2002.
A partir do ano que vem, Requião terá que lidar com um cenário diferente. Beto Richa (PSDB) comandará a prefeitura da Capital. Além disso, pode ser que o governo não conte, incondicionalmente, com parte do PT. A relação do governo do Estado com o presidente estadual do PT, deputado André Vargas, já sofreu vários abalos. Pedágio, aumento no salário dos secretários e a derrota de Ângelo Vanhoni (PT) na eleição para prefeito de Curitiba foram alguns dos estopins de acirradas discussões entre a direção do PT e o Palácio Iguaçu.
O cenário atual recomenda cautela. A tendência é considerar o senador Osmar Dias (PDT) como o grande adversário em 2006. Osmar, que nos últimos anos vem distanciando sua carreira política do irmão Alvaro Dias (PSDB), já aglutinou nomes de peso: o deputado federal Gustavo Fruet (sem partido) e Beto Richa estão com ele, pelo menos por enquanto.
Em vista desse quadro, a intenção do grupo que hoje está no poder é se fortalecer e impedir o avanço da tropa encabeçada pelo PDT e PSDB.


