Curitiba - O governo do Estado colocou panos quentes na decisão do PT do Paraná, de ser ''independente'' em relação ao governo Roberto Requião (PMDB). A decisão foi tomada neste final de semana, em Curitiba, e foi uma resposta à decisão do PMDB de ser ''independente'' do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, que faz a ponte entre o governo e o Legislativo, disse que tanto o governo quanto o PMDB do Paraná respeitam a decisão do PT de se afastar do governo. ''Essa é uma decisão interna do partido no Estado, que está reproduzindo a posição do PMDB nacional'', avaliou.
O secretário, porém, aposta que haverá ''harmonia'' entre os dois partidos e entre o PT e o governo durante a administração Requião. ''Respeitamos a decisão do PT e vamos buscar conversações sempre em projetos de interesse da população paranaense. Haverá uma conversa caso a caso. Vamos aprofundar as discussões e manter um contato próximo com os parlamentares petistas'', comentou Quintana.
O PT é dono da maior bancada na Assembléia Legislativa, com nove dos 54 deputados estaduais. Esse grupo não se sente mais comprometido a ponto de apoiar o governo em todas as suas propostas, o que vai dificultar a atuação da liderança do governo na Casa. A permanência ou não do líder do governo, Natálio Stica, do PT, é outra situação a ser resolvida até a volta dos trabalhos da Assembléia, em fevereiro.
Do outro lado, o PT tem dois membros na administração pública: o secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, e o presidente da Celepar, Marco Mazoni. Pelo menos por enquanto, nenhum dois dois pretende deixar o posto, apesar de o PT ter recomendado que eles disponibilizem seus cargos. Quintana afirmou que eles foram convidados pelo governador e que a ''decisão e a posição que devam tomar será definida pelo próprio integrante do governo''.
O PT deicidiu que a relação com o governo Requião será, a partir de agora, exclusivamente institucional. ''A bancada de deputados estaduais deverá deliberar sobre os projetos em pauta de forma autônoma, sempre dialogando com os setores sociais comprometidos com os direitos de cidadania, com a ética, transparência e democracia'', diz trecho do documento elaborado pelos petistas.
O documento ainda dá uma alfinetada no governador. Diz que o governo não tem cumprido os percentuais constitucionais de gastos em saúde e educação.

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