Curitiba - Assim como fez a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná no mês passado, o governo do Estado e a Companhia Paranaense de Energia (Copel) também renovaram seus contratos com a Helisul Taxi Aéreo. Os aditivos foram publicados nos Diários Oficiais do Executivo e de Comércio e Serviços, nos últimos dias 4 e 22, respectivamente. Conhecida por figurar na lista de doadores de campanha de diferentes políticos, a empresa já prestou serviço para a Prefeitura de Curitiba e para o PSDB durante a disputa eleitoral em 2010.
No caso da administração tucana, dois decretos autorizam o gasto de até R$ 4,1 milhões na locação de um jatinho e de R$ 438 mil no aluguel de uma aeronave de asas rotativas (helicóptero). Os valores, válidos para 12 meses, foram reajustados a partir do pregão presencial de março de 2013. O pagamento corresponde ao teto, ou seja, é feito conforme o uso.
Em 2011, no início da gestão Beto Richa (PSDB), o Executivo firmou convênio de R$ 2 milhões com a mesma empresa por três meses, para que o transporte ficasse à disposição do estafe do governador 24 horas por dia. O caráter do acordo, contudo, foi questionado pela oposição na AL, o que fez a administração optar pela locação por demanda. Naquele mesmo ano, o Estado leiloou dois aviões, que avaliou estarem sucateados: um King Air, adquirido pela própria Helisul, e um Citation II, repassado à Lym Participações. Depois, anunciou que compraria nova aeronave, o que não ocorreu.
Já o reajuste de 5,39% no contrato da Copel se refere a um helicóptero que, segundo a companhia, é utilizado para fazer inspeções em linhas de transmissão, usinas e reservatórios. A estatal pode utilizá-lo até o limite anual de R$ 269 mil. Há dois anos, a empresa gastou R$ 16,9 milhões para comprar um turbo-hélice, assinando acordo através do qual poderia emprestar o avião ao governo. À FOLHA, a assessoria de imprensa da Copel informou que o investimento foi necessário porque a companhia atua em dez Estados, muitas vezes em locais de difícil acesso. O faturamento anual da estatal é de R$ 12 bilhões.
Em março, a AL seguiu a mesma linha e renovou seu contrato com a Helisul, única empresa a participar do pregão presencial. A hora de voo do jatinho dos deputados custa R$ 7,95 mil aos cofres do Legislativo. O acordo permite a utilização de no máximo 50 horas a cada 12 meses, o que pode significar um gasto anual de até R$ 397,5 mil. De acordo com a assessoria de imprensa da AL, a ausência de concorrência se deve pelo fato de poucas companhias do Estado oferecerem "a condição logística exigida", que inclui aeronave com capacidade mínima de sete lugares, comandante e copiloto.

Doadora de campanha
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Helisul fez doações para políticos paranaenses nas três últimas eleições. A lista pública contém oito nomes, de quatro partidos diferentes. A maior quantia – R$ 50 mil – foi repassada ao então candidato a prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB), em 2008. Dilto Vitorassi (PT), que disputou a Prefeitura de Foz do Iguaçu no mesmo ano, recebeu R$ 2 mil.
No pleito seguinte, a empresa financiou as candidaturas de Alexandre Curi (PMDB) à Assembleia, com R$ 10 mil, de Angelo Vanhoni (PT) e Zeca Dirceu (PT) à Câmara dos Deputados, com R$ R$ 23,25 mil e R$ 48,6 mil, e de Gleisi Hoffmann (PT) e Gustavo Fruet (então no PSDB, hoje no PDT) ao Senado. Os dois últimos angariaram, respectivamente, R$ 4,68 mil e R$ 40 mil. Já em 2012, Reni Pereira (PSB), que concorreu à Prefeitura de Foz, teve dois repasses da Helisul contabilizados pelo TSE, de R$ 1.660 e R$ 1.033.
A assessoria do Palácio Iguaçu disse à FOLHA que as doações de campanha não têm qualquer ligação com o governo, pois são feitas diretamente aos candidatos e partidos. Já no caso da licitação, o governo reforçou que a lei beneficia aquele que oferece o menor preço.

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