Brasília O governo recuou do apoio dado no Senado à proposta de emenda constitucional (PEC) que altera pontos da reforma da Previdência. Depois de aceitar a idéia da chamada PEC paralela em troca do voto dos senadores à reforma da Previdência, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, comunicou ao colégio de líderes aliados do Palácio do Planalto que não tem nenhum compromisso com a proposta.
Em almoço ontem com os líderes e vice-líderes dos partidos governistas no Palácio do Planalto, José Dirceu desaconselhou a aprovação da PEC paralela, apesar de ela ter sido o principal motivo para a convocação extraordinária do Congresso. ''Nosso compromisso foi o de votar no Senado, mas não foi com o texto'', disse o ministro, segundo relato de parlamentares presentes. ''Por mim, ficariam valendo as regras da reforma da Previdência'', completou.
O ministro José Dirceu pediu também aos líderes que orientem suas bancadas para não apresentarem emendas ao texto que ampliem privilégios. As emendas poderiam ser apenas para suprimir ou modificar alguns itens, sem mexer na essência da reforma já promulgada pelo Congresso. A estratégia do Palácio do Planalto é evitar pressa na tramitação.
Para ganhar tempo e não estimular a discussão da PEC paralela durante a convocação extraordinária, o governo solicitará ao ministro Ricardo Berzoini (Previdência) uma nota técnica sobre o impacto das mudanças previstas na emenda. Só depois desses dados e de uma análise técnica da redação do texto aprovado no Senado é que os aliados do governo vão iniciar a discussão da matéria. Dirceu alertou que, por mexer na reforma da Previdência, os deputados deveriam ser cuidadosos.
O ministro pediu atenção especial à redação do teto salarial dos servidores públicos que, pelo texto do Senado, permite a exclusão desse limite das vantagens acrescidas nos salários dos servidores. Conforme avaliação preliminar, isso criará dificuldades financeiras aos executivos estaduais e municipais.
Segundo o vice-líder do governo na Câmara, Sigmaringa Seixas (DF), o que houve não foi exatamente um recuo, mas a conclusão de que alguns pontos da reforma previdenciária têm mesmo que ser modificados. ''Houve uma posição técnica e unânime de que a redação precisa ser alterada em coisas específicas como o teto salarial nos municípios, para não dar margem a dúvidas'', insistiu o deputado. Ele insiste que a redação atual não só permite tetos diferenciados como deixa em aberto seu valor limite.

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