BRASÍLIA - Com o novo calendário para a emenda da reeleição, que poderá ser votada na próxima terça-feira, os líderes governistas afastaram a tese do referendo popular. A idéia considerada há uma semana ‘‘uma carta na manga do governo’’, como definiu o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), acabou descartada porque não soma votos em favor da reeleição. ‘‘Se não agrega, não resolve’’, resumiu o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos.
‘‘O assunto está fora da pauta do momento’’, afirmou o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP). O governo fez as contas e constatou que vincular a aprovação da reeleição a um referendo popular pouco acrescentaria ao placar. O governo precisa de 308 votos no plenário da Câmara para aprovar a emenda.
O mapeamento do governo revelou que o conflito com o PMDB não se resolve com a adoção do referendo e o PPB - apesar do apoio declarado do presidente do partido, senador Esperidião Amim (SC) - também não aceita a proposta e defende um plebiscito. Já PT, PC do B e PDT, que somam 87 deputados, fecharam posição contra a reeleição e os contrários do PTB também não mudam seu voto por causa do referendo.
Apesar da tese do referendo ter sido ‘‘congelada’’ pelo governo, o deputado Franco Montoro (PSDB-SP) insistia ontem que a proposta poderia ajudar o governo em pelo menos 40 votos a favor da reeleição. Montoro lançou na semana passada o Movimento pela Consulta Popular, com o apoio dos senadores Roberto Freire (PPS-PE), Pedro Simon (PMDB-RS), e dos deputados Almino Affonso (PSDB-SP), Alexandre Cardoso (PSB-RJ), Fernando Gabeira (PV-RJ), Sérgio Arouca (PPS-RJ), e depois Nelson Marquezelli (PTB-SP), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Afonso Camargo (PFL-PR).
Os parlamentares começaram a colher assinaturas em defesa da tese e programaram uma reunião de avaliação para ontem, no início da noite. Já sabiam, porém, que a proposta da reeleição submetida ao referendo somava apenas alguns votos pingados.
Tanto o deputado Miro Teixeira quanto Alexandre Cardoso têm prontas emendas aglutinativas que submetem a reeleição à consulta popular e pretendem apresentá-las no momento da votação da matéria em substituição à emenda aprovada na comissão especial.

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