Curitiba - O líder do governo na Assembléia Legislativa, Natálio Stica (PT), vai submeter a base governista a um treinamento intensivo. Stica quer saber exatamente com quem pode contar entre os 54 deputados, e adiantou que, a partir de agora, a oposição ''não vai ficar sem resposta''. O líder disse que está preparando um time de ''escudeiros'' para atuar no plenário, rebatendo qualquer manifestação da oposição.
Stica vai fazer reuniões semanais toda quarta-feira com a base aliada. Ontem pela manhã aconteceu a primeira reunião, no Salão Nobre da Assembléia, com a presença do secretário de Estado da Comunicação Social, Airton Pisseti. ''Toda semana haverá um café da manhã com um secretário. E todos os secretários terão uma lista dos deputados que fazem parte da base'', explicou Stica. Ele disse que só terá a lista na semana que vem, quando o secretário convidado deve ser Cláudio Xavier (Saúde). Por enquanto, Stica trabalha com o número de 35 aliados entre os 54 parlamentares.
O critério para que o parlamentar tenha a confiança de Stica será ''o olho no olho''. O líder frisou que a fidelidade será cobrada. ''Passado é passado. Nos interessa o presente e o futuro'', avisou. Nos últimos meses, a base andou estremecida. Angelo Vanhoni (PT) deixou o posto de líder para se dedicar a sua pré-candidatura a prefeito de Curitiba. Até que Stica assumisse, passou quase um mês. Stica não assumiu a liderança imediatamente porque havia uma briga interna pela 1 vice-presidência, vaga que ele ocupava e hoje está nas mãos de André Vargas (PT).
A oposição aproveitou a indefinição para avançar. Valdir Leite (PPS) que fazia parte da base propôs a CPI do Porto para investigar a administração de Eduardo Requião, irmão do governador, e com isso transformou-se em persona non grata para os governistas. Plauto Miró Guimarães (PFL), da oposição, também acusou o governo de usar dinheiro público para patrocinar um tribunal contra transgênicos montado em março em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Nem todos os deputados da base participaram do primeiro café da manhã. Tadeu Veneri (PT) foi um deles. ''Nós somos adultos para saber o que tem que ser votado'', declarou. Apesar do desafio, Stica aposta que a base será coesa. E ontem mesmo já deu um recado para a oposição: que não transforme em ''carnaval'' os pedidos de informação ao governo. Stica quer que a oposição só se manifeste depois de receber as informações.
Ao saber da decisão de Stica, de responder sempre aos ataques dos adversários, a bancada de oposição não perdeu a chance de provocar. ''Até que enfim reagiram. Faz um ano e meio que não respondem nada'', disparou Plauto Miró.

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